6.29.2006

.

numa garrafa
que se quebra deitando
cognac e chuva
ao chão não vejo, no
rosto sujo de
anonimato sem dente
(o desespero)
nem na mão ferida
que bate bate e
bate não vejo, na
luz mercúrio que
tinge a chuva de cognac
na rua (longa
e vazia) não vejo,
em frio algum
que arranha roupa e pele
nem nos pés (unha
e calo) que corre e
tropeça e cai cai
e cai não vejo, sequer
numa lasca da
garrafa quebrada no
chão, verdade. Do
rosto que ele procura
não sabe sequer
o nome, tonto demais
consigo mesmo
e há no choro dele
só vaga intensão.
Verdade eu vi na minha
avó chorar o marido
morto

.

[da leitura de um fragmento de caio fernando abreu]

6.27.2006

.

é comum que se
morra alguma vez. A mim
ocorreu-me num
taxi que fugia dum por-
do-sol. No check-in
fiz o obituário de
mim, cremado a
11.000 pés, as cinzas
espalhadas no
Pacífico, deixando
um rastro fino
e tortuoso n´água
que um pesqueiro de
atum (hakudo maru)
dispersou - este
um que se foi, não soube
o afagar de um
rosto que dorme ao lado
antes do nascer do sol

.


hakudo maru - deidade da mitologia japonesa que benevolente, desceu dos céus pra ensinar aos homens a navegar. Proteje os viajantes. O sufixo "maru" 丸 (circular) é obrigatório no nome de toda embarcação do Japão. 白土丸 é um nome comum para barcos.

Narita, ida e volta


,

buscou-me um taxi
preto, bancos forrados
de rendado da
China. Chovia. Vista
de contornos em
cinza de campos
secos e fantasmas de
árvores - névoa
molhava meus olhos e
tinha a janela
fechada. Depois, sempre
tive a janela
aberta

(as folhas que
esmagava com
os pés no chão, surgiram
coladas aos galhos)

esqueci das janelas

levou-me um taxi
preto, bancos de luto
branco (rendado
barato da China). O
sol caía, deitando
árvores sobre
os campos semeados.
Pedi pra fechar
a janela - meu rosto
molhado da chuva em mim



,





6.26.2006

my friend Rapid One


.

"- my name is Toshi"
e me explicou seu nome:
"- Rapid One", e
seu terno "- winter type"
e seu prato "- I
like udon, don´t you?", deu-me
a mão, talvez só
tocada antes por seus
pais, longe, no frio
Hokkaido, quando triste
não pôde sentir
então o calor da pele

.

no leite que tinje
(arborece) no gelo
do ice-coffee,
no sabor que desliza
na garganta num
sake de Niigata e do
gosto "oily" dum
inseto que provou, na
luz do hotaru
"- that makes me happy...": várias
fluorescências que
Rapid One me mostrou. Vi
claro um país
que perdi quando cresci
e o esqueci - mostrou-me
um rosto que não esqueceu
de amar os vaga-lumes

.

borboleta em
ardósia e vermelho que
demos ao céu, mas que
num vento tropeçou e
fez tremer uma
poça de lama neve e
água - Rapid One
disse-me uma tristeza
depois (de um gato
preto) e se fez noite
mais cedo naquele dia

.

"- 'you must fight every
day', said my grandfather the
day that he gave me
his katana...". Rapid One
como um hotaru sem luz

.

Rapid One trouxe
um hagi-yaki "- beautiful
cracks!" (fendas que
se tinjem de chá, como a
memória de uma
voz) "- a cada vez que o ver, as
fendas terão mais
cor". Lentamente a cor
do chá e o esquecimento...

.

Rapid One correu
e alcançou-me no taxi,
segurou minha mão
mas não nos dissemos "ciao":
"- you are now going to
live in another planet" -
e amei sua mão amiga
antes de cego, chorar.


. .


seu nome, Toshikazu - 俊一 quer dizer em tradução literal "aquele que é rapido"

udon - うどん - massa de arroz em formato de talharim.

Hokkaido - 北海度 - ilha no extremos norte do Japão, com temperaturas médias de -40C no inverno (que dura 6 meses).

Niigata - 新潟 - cidade portuária no noroeste de Honshu (ilha central do Japão, onde se localiza Tokyo) onde é produzido os melhores sake do mundo

hotaru - 蛍 - vaga-lume

katana - espada samurai, hoje não mais fabricadas. Apenas as familias descendentes de samurais a possuem.

hagi-yaki - 萩焼 - cerâmica tradicional do sudoeste de Honshu, famosa por sua textura craquelê que se tinge de chá com os anos de uso.
http://en.wikipedia.org/wiki/Hagi-yaki

.

6.25.2006

Belém, infancia



14

coelho branco
do mágico, sujo de
feltro preto da
cartola - mufinos os dois,
comeriam as sobras

15


piscina seca -
no papel pautado das
lajotas verdes,
nadam vírgulas e
pontos - girinos pretos


.

há um pássaro que
nasce a cada vez que nos
vemos - sempre há
rufar que é vento de uma
asa pequena
de primeiras palavras
imperfeitas mas
que alça uma verdade -
como no primeiro
vôo do pássaro que
nasce a cada vez em nós

.

[domingo, 25 de junho - primeira hora do meu dia, um passaro à janela]

6.24.2006


.

tamborilhando
a vontade de te ver,
idéias que são
passos num corredor de
tábuas corridas
(de paredes caiadas,
telhas de vidro)
e a cada passo nesse
dia claro que
tem paredes caiadas,
ouço os meus passos
e a claridade - passos
e a idéia - tamborilhar

.

[sábado, 24 de junho]


6.23.2006

.

aos que não voltam
resguardo lugar vago
em casa. Sento
e os deixo falar, credos
que os vejo. Mudo,
assinto e espero e um
dia as vozes
serão muitas e será
vez de juntar-me a eles

.
.

"que perfeito coração (...)"
(Alexandre O´Neill)

.

deixas-te afogar
em tintas de noite que
te cobre - vai a
gaivota com a tarde e
resta a mim, que te esperou

.

須藤 フェィペ [Sudo Felipe]

.

"nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa
"
(Alexandre O´Neill)


três tankas


uma gaivota
atravessou a tarde
e logo a tarde
caiu-me embriagada:
tinta da noite a subir

.

partiu a ave
(assisti da varanda):
sol nas espáduas
alçou a curva do céu
e minúscula sumiu

.

desde que se foi
fico a olhar o nada
atrás de lembrar -
posto ontem a refletir
pensei tê-la visto ao mar


.

http://felipesudo.blog.uol.com.br/

6.22.2006

Belém, infância

.

13

cicio: escamas
na tarde que ecoa no
verde como luz.
Toco a casca áspera -
procuro uma cigarra

.

6.20.2006

Belém, infância

.

10

coruja pousa e
grita da árvore - noite
sem sombra, sem som
que me alcança na cama -
lençol negro que rasga.

11

aos pés de espuma
do mar, garrafa verde
e um sabonete
azul de água - toco
fogo azul - água viva

12

baixa-mar: ficam
pegadas d´água onde
cintilancias de
vidro nadam. Cato-os e
os vejo morrer opacos.

.

6.18.2006

Belém, infância

7

na linha solta
na qual havia um botão,
vejo um som de cair,
e ouço o silêncio da mãe
a cerzir minha camisa.

8

cheiro de terra
quando a chuva vem - passos
correm pro quintal
e trazem no colo o
cheiro do sol na roupa.

9

mesa posta com
branco - louça, açucar,
tapioca e pão -
no lume, chia o preto
do café que se fará.

cenas de rua

.

garrafas âmbar,
som de água, gelo e o
aço escovado
do balcão. Azul vítrio
dos azulejos - só há
calor na mão que toca.

[Andaraí, 18 de junho]

.

Jorge Luis Borges

Tankas*

[El Oro de los Tigres, en "Obras Completas" vol. II, Emecé Ed. España, 1 edición]

1

Alto en la cumbre
todo el jardín es luna,
luna de oro.
Más precioso es el roce
de tu boca en la sombra.

2

La voz del ave
que la penumbra esconde
ha enmudecido.
Andas por tu jardín.
Algo, lo sé, te falta.

3

La ajena copa,
la espada que fue espada
en otra mano,
la luna de la calle,
dime, acaso no bastan?

4

Bajo la luna
el tigre de oro y sombra
mira sus garras.
No sabe que en el alba
han destrozado un hombre.

5

Triste la lluvia
que sobre el mármol cae,
triste ser tierra.
Triste no ser los días
del hombre, el sueño, el alba.

6

No haber caído,
como otros de mi sagre,
en la batalla.
Ser en la vana noche
el que cuenta las sílabas.


* He querido adaptar a nuestra prosodia la estrofa japonesa que consta de un primer verso de cinco sílabas, de uno de siete, de uno de cinco y de dos últimos de siete. Quién sabe cómo sonarán estos ejercicios a oídos orientales. La forma original prescinde asimismo de rimas (J.L.B.)

6.15.2006

Belém, infância

5

camapu cresceu
no piso gretado do
pátio vermelho.
Acho-os colhidos depois
na mesa, os restos da
festa - balões amarelos.


6

o passarinho
voou solto em casa
(seu unico céu)
e fez dela seu ninho:
nos trazia gravetos.

.

camapu: http://en.wikipedia.org/wiki/Cutleaf_groundcherry

6.14.2006

須藤 フェィペ [Sudo Felipe]

子供の短歌

Tankas da infancia

I

“como cresceste!”
seis anos numa frase
da tia no hall –
infância de demoras
como o tempo a se estirar

II

cinco pessoas:
pai mãe dois filhos homens
e uma menina -
retrato para o sempre -
velha sépia a contrapor

III

certa vez ouvi:
“ojiichan foi pro céu!”
não dei ouvidos
à noite fui buscá-lo
em minha nave azul

IV

da janela vi
o telhado da casa
um gato saltou
sobre o muro mais alto
(depois acho que cresci)


.

http://felipesudo.blog.uol.com.br/

6.13.2006

.

qual um galho que
se põe numa salina,
cristaliza versos em
mim - chão que estou, caido,
esquecido em escrever.

.

6.12.2006

川柳 *

かくれんぼ
三つ数えて
冬になる

esconde-esconde:
conte até três e então
o inverno vem.

Shūji Terayama


* Senryū: uma forma de haiku introduzida pelo poeta da era Edo, Senryū Karai (柄井川柳, 1765-1838), cuja coleção Ifūyanagidaru (誹風柳多留) lançou o genero, no qual os temas são metafísicos, transitoriedade do tempo, etc.


noite de chuva e o outro dia

I.
da noite clara
restou a chuva (fecha
o céu em luto
lilás) - insone, ouvir
som d´agua que caía.

[domingo 11 de junho, noite]

II.
em toda estação
parada, recolhe-se
noites não tidas:
no vagão, não havia
insone que ouvira a chuva.

[segunda 12 de junho, manhã]

6.11.2006

長歌 *

瓜食めば
子ども思ほゆ
栗食めば
まして思はゆ
何処より
来りしものそ
眼交に
もとな懸りて
安眠し寝さぬ

山上 憶良

Comendo melões
meus filhos vêm a mente;
sendo castanhas
a saudade é maior.
De onde eles vêm
perfilando em meu olhar,
desconsolando,
insessantes noite e dia,
que não me deixam em paz?

Yamanoue no Okura; 669 - 733
(período Nara)

trad. de Eiichi, extraído de 万葉集
http://en.wikipedia.org/wiki/Manyoshu

.

Nostaldia do presente

"... naquele instante
estar numa praça
e haver musica
e na mão que seguras
haver a calma
de compartir o agora
como uma cama,
uma musica ou a
uma fruta" - e
naquele instante, os dois
compartiam a musica.

[sabado de sol e musica, 10 de junho,
segundo um titulo de J.L.Borges]

.

deja-vu

das camisas que
deste - amarela e
vermelha - sonho
esquecido, súbito
relembrado: de
que estavas no quarto.
Sonho sonhado
quando não havias e
um mar nos separava.

[sabado de lua e caminhada, 10 de junho]

.

perdeste as asas
quando nasceste - depois
só as encontrará
secas e esquecidas numa
página qualquer
guardada. Se voares
quando as achar, tu me chamas?

[terça, 13 de junho,
quando o centro era silencio e lia cético um livro presenteado]

.

* sig., "poema longo" - consiste em frases de 5-7 silabas repetidas ao menos 2 vezes e um final de 5-7-7.




diário terno



Na nesga do sol
entre os prédios paramos.
Do mar, as ondas
lavavam a areia: nossos
pés gotejavam de luz.

sabado, 3 de junho - uma reassaca

.

Sinto teu cheiro
nas mãos: ontem te toquei.
Hoje, no papel,
perco um pouco de ti
ao tentar não esquecer...


quinta, 8 de junho

.

... relembras à mim
duma manhã da infância:
"dessa janela
via um mar de telhados..."
-sonhas mundo dum gato.

sabado, 10 de junho - de uma conversa terna

.

da rua trouxe
areia nos pés, mais um
livro - Pavese -
e o jornal: fará noite
clara - só, vejo a lua.

domingo, 11 de junho

.

vais dando cada

um dos versos que na tua
vida brotaram -
limpa o quintal e nele
plantemos algo novo

segunda, 12 de junho - recado num livro dado

.

quando retornei
pra casa, havia um pão
partido e o traço
vago de um corpo no azul
do lençol: dois ecos teus.

sabado, 17 de junho - ...

.

6.10.2006

松尾芭蕉 [Bashou Matsuo]

古池
蛙飛び込む
水の音

velha lagoa
e um sapo que vai saltar -
som da água

[trad. por eiichi]

6.09.2006

... mais infancia.


I.
Peteca sob a
comoda. Agachado
vejo um fio torto
de formigas vermelhas:
pontos e um globo azul.

II.
O ar coaxa de
sapos e goteja de
umidade. Jazz
e conversa na sala.
No quarto, eu insone.

俵 万智 [Tawara Machi]

ふと宿り や
がて心の染み
となる ユリ
の花粉のような
ジェラシー

E então surgiu
um risco no coração.
Mancha de pólen
no lírio: assim fica
a marca do ciúme.

.

「寒いね」と
話しかければ
「寒いね」と
答える人の
いるあたたかさ

"Frio?" - se pergunto
"Frio?" à alguem ao meu lado,
só por haver quem
me responda, já não sinto
mais frio - nos aquecemos.

[trad. por Eiichi]

http://www.gtpweb.net/twr/ny3.html

Belém, infancia

1

N´aguada verde
do muro do sobrado
vê-se o inverno -
lembro do calor e do
cheiro podre da manga.


2

Vejo um cintilar
e uma sombra de gradil
n´agua cor-de-cha
do porto - sol que queima
pele e o peixe prata.


3

Duas da tarde:
silencio de mormaço
e azulejos frios.
Do quintal de casa, um
susto - corre o calango.


4

"- Fecha a janela!" -
Nos acorda da sesta,
palmas no portão.
Mendigo e chuva das três
lembram do pão por assar.



hoelderlin e schubert

.

Metade da vida (*)

Na livraria
cheguei à metade da
vida - nos vimos.
"(...) rangem os cataventos"
e não temo o inverno.

(*)poema de Hoelderlin (trad. Manuel Bandeira):

Peras amarelas
e rosas silvestres
da paisagem sobre a
lagoa.

Ó cisnes graciosos,
ébrios de beijos,
mergulhando a cabeça
na água santa e sóbria!

Ai de mim, aonde, se
é inverno agora, achar as
flores? e aonde

O calor do sol
e a sombra da terra?
Os muros avultam
mudos e frios: à fria nortada
rangem os cataventos.

.

Winterreise(*)

"Es bellen die Hunde,
es rascheln die Ketten (...)". Aqui
reconheço por
onde andei um dia -
até que me encontraste.


(*) Viagem de Inverno, ciclo de Lieder de Schubert.
"Im Dorfe" (Na vila):
"Latem os cachorros, soam as correntes;
(...) Estou no fim de todos meus sonhos,
por que pertubam este insone?"


Cenas de rua

dois aquários no
rosto: olhinhos cegos
nadavam ágeis
na conversa casual.
"- Dona Nilze, vá com Deus!"

[Copacabana, sexta de tarde]

"Das Wohltemperierte Klavier"


Naquela noite
entreabri meu quarto:
fechei os olhos,
e contei um segredo -
"cravo bem-temperado".

.

Como te dizer
que naquele segredo
secou-se um mar?

.

Seco o mar, podes
caminhar. Mas cuidado
pra não tropeçar
naquilo que restou dos
segredos: peixes mortos.



Amadurece
o sol. Cansado de ver,
fecho os olhos.
No sonho, amanhece:
vens em minha direção.

.

Tocas meu ombro.
Estampado em sombra,

te vejo no chão.

くるみ割り人形 組曲 - チャイコフスキー
[Suite Quebra-Nozes: Tchaikovsky]

I.
O "quebra-nozes"
no radio. Madrugada.
Fazendo o café
e pensando no almoço -
irás me ver no jantar?

II.
Soa a celesta.
Chia a chaleira. Mudo,
calço os sapatos.
Descendo as escadas -
soam dois pés sozinhos.

III.
Valsa de flautas,
contradança com trompas,
compasso nos pés.
Na estação estou só -
mas bailando contigo.

6.08.2006

石川啄木 [Ishikawa Takuboku]

I.
手につたふ
なみだのこはず
一握の砂

を示しし人
を忘れず。

Nas mãos, um punhado de areia.
Lágrimas a escorrer pelas faces.
Como te esquecer?

[tradução de Yamaki Masuo e Paulo Colina - Tankas, Takuboku Ishikawa; Roswitha Kempf Ed.]

II.
忘れをれば
ひょっとした事が
思い出の
種にまたなる
忘れかねつも。


ao esquecer-me
de coisa tão furtiva,
surgirá então
semente de saudade
neste esquecimento.


[tradução por Eiichi]

6.07.2006

須藤 フェィペ [Sudo Felipe]


短歌

I .
rumor de sombras:
som de mar numa concha
lua a calcinar
o teu rosto na areia -
ébrio de amor te avistei.


II.
rajar de vento
onda cravada no chão
água pelos pés -
nossos passos na areia
assistem à ressaca

III.
de novo noite
solitária entre vultos
de estrelas - você
aflora junto à lua
como se ferisse o céu

IV.
da janela vi
o telhado da casa
um gato saltou
sobre a telha mais alta
(depois acho que cresci)



http://felipesudo.blog.uol.com.br/

朝川栄一 [Asakawa Eiichi]

太陽の上昇短歌
[tankas de amanhecer]

I.
Ave nos lençois.
Delicado, apanho-a.
Teus olhos dizem
que juntos voaremos -
cansados, dormiremos.

II.
Dormes. Te olho,

suspiras, te cheiro e
te viras... mudo,
esperarei teus sonhos
fugirem: despertarás.

III.
Quando dormes, sei -
desces ao mar, te banhas,
escutas conchas,
procuras-me n´areia...
mas sou eu quem te acho.

IV.
Caminha o sol
filtrado de janela
sobre teu rosto,
mergulha e se apaga:
negrume dos cabelos.

V.
Sinto teu calor -
calor do sol que surge.
Te vejo dormir.
Amanhece na cama
cada vez que te toco.