numa garrafa
que se quebra deitando
cognac e chuva
ao chão não vejo, no
rosto sujo de
anonimato sem dente
(o desespero)
nem na mão ferida
que bate bate e
bate não vejo, na
luz mercúrio que
tinge a chuva de cognac
na rua (longa
e vazia) não vejo,
em frio algum
que arranha roupa e pele
nem nos pés (unha
e calo) que corre e
tropeça e cai cai
e cai não vejo, sequer
numa lasca da
garrafa quebrada no
chão, verdade. Do
rosto que ele procura
não sabe sequer
o nome, tonto demais
consigo mesmo
e há no choro dele
só vaga intensão.
Verdade eu vi na minha
avó chorar o marido
morto
.
[da leitura de um fragmento de caio fernando abreu]





