10.31.2006



sei que me será
desconhecido o mundo.

este dia me virá como ao
filho feio que nos
toca ter,
ao lodo no piso
após as águas,
ao sol pontual
após sono inquieto
- consolo quase –
e virá saudar
como aos dias curtos
que se fazem ao inverno,
compulsório descanso
que se dá a natureza.

sei que me
tocará o dia
de respirar com a terra –
eu, seu filho feio –
confundindo-me ao lodo,
aquecido a contragosto
pelo sol pontual.

não saberei é dos dias curtos
nem verei a vésper
neste meu descanso compulsório
.

10.17.2006

a jorge luis borges

.

nunca más verán mis ojos

todo ha ido se desdibujándose para mí,
las letras de los libros
las caras de la gente

yo nunca más veré mis ojos
y la memoria habrá de ser fiel
cuando los libros se callaren
y el silencio sea la oscuridad.


.


10.15.2006

outros-poemas

...


amanheci

em

Outros-poemas,


onde podemos tropeçar por tanta coisa nova, boa...

...

cena

.


as horas se
repetem - rondam
o quarto, vêm um
livro, dois ou tres,
empilhados por
ler, e no seu toque de
relógio, escuta
a torneira a
pingar ha tempo

da janela te vejo -
me esqueço em ti,
rondado de tempo,
esquecido de horas
a escrever...

.

10.10.2006

haiku

.


procura a lua
a mariposa que irá
morrer no lume


.

aves eu e peixes



.


houve invasores

vindo sobre ondas,
tomando-me a vista
pelo sujo que faziam
no azul do céu -
atobás

veio o invasor

trazendo o coração
ao bico, tomando-me
a vista pelo susto
que faziam aos
atobás no céu -
fragatas

vejo-lhes o baile
indeciso - e cá
me levam ondas

sob o barco, navegam
peixes que nada
conhecerão de
nós todos aqui fora


.


abrolhos, 5 de outubro 2006

Os atobás pescam. As fragatas lhes roubam os peixes pescados, no ar.

10.08.2006

abrolhos


paisagem infinita
em azul - céu e mar
em vão

,


destes dias longe de ti,
não me bastou o mar

- a aurora cegando o sonho -

ali te vi, no sonho,
desfeito em vulto de noite,
desfeito na primeira onda
que toca os dedos rosas
da aurora.

Triste e vazio,
sequer me irá preencher
o mar que vi
os dias vistos sem ti


.