
Trilha estreita ao confim
Oku no Michi, Basho
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1.
出発まで
月日は百代の過客にして行かふ年も又旅人也。舟の上に生涯をうかべ、馬の口とらえて老をむかふる物は日々旅にして旅を栖とす。古人も多く旅に死せるあり。予もいづれの年よりか片雲の風にさそはれて、漂白の思ひやまず、海濱にさすらへ、去年の秋江上の破屋に蜘の古巣をはらひてやゝ年も暮、春立る霞の空に白川の関こえんと、そゞろ神の物につきて心をくるはせ、道祖神のまねきにあひて、取もの手につかず。もゝ引の破をつゞり、笠の緒付かえて、三里に灸すゆるより、松嶋の月先心にかゝりて、住る方は人に譲り、杉風が別墅に移るに、
草の戸も住替る代ぞひなの家
面八句を庵の柱に懸置。
1.
Lua e Sol por 100 (1) eras são apenas errantes, e assim como os anos que vêm, assim os viajantes:
Sobre barcos, uma vida flutuam. Sobre os cavalos, idosos, têm seu abrigo na jornada e nas coisas inestimáveis e antigas (2) do seu dia-a-dia.
Muitos os antepassados que na jornada pereceram. Eu também, com a inquietude da idade, fui tentado pelo vento que desfaz as nuvens (3) - e claro em meu peito ficou esta idéia. Vagando pelas praias marinhas ano passado no outono, pela margem do rio proximo à velha cabana vazia, eu me vi só nesta morada de aranhas, neste campo ressequido dos anos de crepusculo. Quando na primavera o sereno se ergueu no céu vazio além das fronteiras de Shirakawa, a aparição do Deus me aliviou o peito exaurido. O convite da deidade das estradas era favorável e propício tomar as coisas às mãos.
Remendei os andrajos, troquei o cordão do sombreiro e apliquei-me moxa de Misato um pouquinho - a Lua de Matsushima já viva chegara ao meu peito. Terminei por ceder minha morada à alguem, e quando por partir à casa de campo de Sampuu em mudança:
mesmo neste teto de ervas
um outro morador por eras
terá sua casa de bonecas (4)
- o primeiro de oito trechos que fixei no pilar desta cabana.
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(1) infindas
(2) むかふる物 (muka-furu mono) - coisas sem preço e antigas
(3) 片雲の風 (hen-un no kase)
(4) ひなの家 (hina no ie) - 雛 - o poeta se refere às bonecas do festival das meninas, que se festeja no inicio da primavera - talvez com isto se referindo ao período em que partia e aludindo à familia que não tinha e que, porventura, habitaria a nova casa com crianças.
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versão em kana
つきひははくたいのかかくにして、 いきかうとしもまたたびびとなり。ふねのうえにしょうがいをうかべうまのくちとらえておいをむかうるものは、ひびたびにして、たびをすみかとす。こじんもおおくたびにしせるあり。よもいずれのとしよりか、へんうんのかぜにさそわれて、ひょうはくのおもいやまず、かいひんにさすらえ、こぞの あきこうしょうのはおくにくものふるすをはらいて、やゝとしもくれ、はるたてるかすみのそらに、しらかわのせきこえんと、そヾろがみのものにつきてこころをくるわせ、どうそじんのまねきにあ いてとるものてにつかず、もゝひきのやぶれをつヾり、かさのおつけかえて、さんりにきゅうすゆるより、まつしまのつきまずこころにかゝりて、すめるかたはひとに ゆずり、さんぷうがべっしょにうつるに、
くさのとも すみかわるよぞ ひなのいえ
おもてはちくをいおりの はしらにかけおく。
mesmo neste teto de ervas
um outro morador por eras
terá sua casa de bonecas (4)
- o primeiro de oito trechos que fixei no pilar desta cabana.
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(1) infindas
(2) むかふる物 (muka-furu mono) - coisas sem preço e antigas
(3) 片雲の風 (hen-un no kase)
(4) ひなの家 (hina no ie) - 雛 - o poeta se refere às bonecas do festival das meninas, que se festeja no inicio da primavera - talvez com isto se referindo ao período em que partia e aludindo à familia que não tinha e que, porventura, habitaria a nova casa com crianças.
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versão em kana
つきひははくたいのかかくにして、 いきかうとしもまたたびびとなり。ふねのうえにしょうがいをうかべうまのくちとらえておいをむかうるものは、ひびたびにして、たびをすみかとす。こじんもおおくたびにしせるあり。よもいずれのとしよりか、へんうんのかぜにさそわれて、ひょうはくのおもいやまず、かいひんにさすらえ、こぞの あきこうしょうのはおくにくものふるすをはらいて、やゝとしもくれ、はるたてるかすみのそらに、しらかわのせきこえんと、そヾろがみのものにつきてこころをくるわせ、どうそじんのまねきにあ いてとるものてにつかず、もゝひきのやぶれをつヾり、かさのおつけかえて、さんりにきゅうすゆるより、まつしまのつきまずこころにかゝりて、すめるかたはひとに ゆずり、さんぷうがべっしょにうつるに、
くさのとも すみかわるよぞ ひなのいえ
おもてはちくをいおりの はしらにかけおく。
2.
弥生も末の七日、明ぼのゝ空朧々として、月は在明にて光おさまれる物から不二の峯幽にみえて、上野谷中の花の梢又いつかはと心ぼそし。 むつまじきかぎりは宵よりつどひて舟に乗て送る。千じゆと云所にて船をあがれば、前途三千里のおもひ胸にふさがりて幻のちまたに離別の泪をそゝく。
行春や鳥啼魚の目は泪
是を矢立の初として、行道なをすゝまず。人々は途中に立ならびて、後かげのみゆる迄はと見送なるべし。
2.
Era o dia vigésimo sétimo do mês (1), e ainda no claror baço da aurora no céu, na lua, uma franja de brilho cintilava envolvendo as coisas e se via o cume silente do Fuji (2). E pensei se veria as flores (cerejeiras) de Ueno e Yanaka rebentarem uma outra vez. Amigos reunidos naquele entardecer, levaram-me ao barco no qual iria. Muitos estavam no local em que embarcaria. De cara com os três mil ri (3) à frente, meu peito foi tomado pela visão de tanta gente da qual me iria separar: lágrimas verti.
passa (4) a primavera:
aves cantam e peixes
com olhos em lágrimas
- tal qual justo escrito nas minhas notas, quando na estrada avançava.
As pessoas no meio da via, de pé, em fila, suas sombras atrás de mim: as via até onde seria possível se ver.

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(1) やよい - terceiro mês do calendário lunar, primavera.
(2) Talvez a grafia não convencional para o Fuji aqui - 不二 - ao invés de 富士 - seja sugestão para funi (ふに), grafado com os mesmos ideogramas, o qual segundo o vocabulário budista, significa não-dualidade, "advaitam": unidade. Logo, o poeta e sua partida, a noite, a lua e o fuji comungam.
(3) 里 (ri), antiga unidade de medida japonesa, equivale a 3.927km. A distância no texto é excessiva, apenas sendo figurativa.
(3) 里 (ri), antiga unidade de medida japonesa, equivale a 3.927km. A distância no texto é excessiva, apenas sendo figurativa.
(4) 行春や (iku haru ya): vai a primavera. Tal qual o viajante, ela vem e vai. Mas também apreendo um sentido Budista ao trecho: 行 (ぎょう) equivale ao vocabulário budista sino-japones ao sankhāra (conditioned thing, mental formation em ingles) ou, popularmente traduzido, "sementes karmicas", expressão que indica que as coisas são condicionais, ou impermanentes logo, passíveis de desintegração ('Disciples, this I declare to you: All conditioned things are subject to disintegration - strive on untiringly for your liberation.' (Mahāparinibbāna Sutta), e logo, contêm a libertação.
outros enlaces:
http://en.wikipedia.org/wiki/Narrow_Road_to_a_Far_Province


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