renga
umi kurete no maki - o mar escurece (1)
海くれて鴨の声ほのかに白し 翁
串に鯨をあぶる杯 桐葉
二百年吾このやまに斧取り手 東籐
樫のたねまく秋はきにけり 工山
入る月にいすかの鳥のわたるそら 葉
駕籠なき国を露負われ行く 翁
降る雨は老いたる母のなみだかと 山
一輪咲きし芍薬の窓 藤
碁の工夫二日とじたる目を明きて 翁
周にかへると狐なくなり 葉
霊之掘る河原はるかに暮れかかり 藤
鳥居はげたる松の入り口 山
笠敷きて衣のやぶれ綴り居る 葉
あきの鳥の人喰いにゆく 翁
一昨日の野分けの浜は月澄みて 山
霧の雫に竜を書き続ぐ 藤
華曇る石の扉を押しひらき 葉
美人のかたち拝むかげろふ 山
蝦夷の婿声なき蝶と身を侘びて 翁
海鼠干すにも袖はぬれけり 藤
木の間より西に御堂の壁白く 山
藪に葛屋の十ばかり見ゆ 翁
ほつほつと焙烙つくる祖父ひとり 藤
京に名高し瘤の呪ひ 葉
富士の根と笠きて馬に乗りながら 翁
寝に行く鶴のひとつ飛ぶらん 山
待つ暮れに鏡をしのび薄粧ひ 葉
衣かづく小姓萩の戸を推す 藤
月細く時計響き八つなりて 山
棺いそぐ消えがたの露 翁
破れたる具足を国に送りけり 藤
高麗の県に畠作りて 葉
紅粉染めの唐紙に花の香をしぼり 翁
小さき宮の永き日の伽 山
春雨の新発意粽荷ひ来て 葉
青草ちらす藤のつぼ折 藤
.
o mar escurece - grasnar do ganso, tênue alvor
transpassa a baleia - um espeto - e um brinde!
por 200 anos, eu mesmo, nestes montes, tomei o machado à mão
sementes do carvalho: o suor do outono
sob a lua que parte, aves traçam o céu
num cesto, desde remotas terras, traz-se gotas de sereno
- a chuva que cai são lágrimas da minha mãe envelhecida? -
um botão floresce - peônia da janela -
a estratégia do jogo vem dois dias depois clarear-lhe os olhos
de volta aos arredores, grita a raposa
catar no leito do rio cogumelos há muito vindo o ocaso
caibros de pinho: a entrada do templo
o sombreiro de chuva largado, o manto escrito em gotas
homens – repasto de aves do outono
fim de outono – ventania, há dois dias na praia – a lua que sai
nas gotas de sereno, um dragão a se desenhar
flores nubladas – arrombado o portão de pedra
contornos da bela – esmolar a trêmule libérula
em Enzo, um choro e a borboleta: preocupam-se
o molusco já seco e esta franja de vestido, há pouco enxarcados
por entre árvores, ao oeste, vê-se o muro branco do templo
no bosque, uma cabana de colmo há uns dez passos
pouco a pouco o vovô solitário faz um pote – queima o forno
célebre em kyoto a praga das corcundas!
cume do fuji – e eu, de sombreiro, montado a cavalo
lá vai dormir o tsuru – só, a voar
espera pelo ocaso e no espelho para fingir-se na tênue maquiagem
é o véu da cortezã que vejo sobre os trevos do portão?
um fiapo de lua – ecoa a hora – já é madrugada
não demoram com o caixão - e o sereno que seca
a armadura desfeita para casa de volta
nos campos de Goryeo, preparar a terra
papel de estampa encarnada: dele esgotar o perfume de flores
no templo, companhia para os dias intermináveis
sob a chuva da primavera, um noviço vem a mim com um fardo:
bolinhos em folhas de bambu
em toda parte, brotos verdes – e seu véu de flores
.
(*) os autores, segundo o texto japonese:
翁- Bashō
桐葉 - Tōyō
東籐 - Tōtō
工山 - Gōzan
umi kurete no maki - o mar escurece (1)
海くれて鴨の声ほのかに白し 翁
串に鯨をあぶる杯 桐葉
二百年吾このやまに斧取り手 東籐
樫のたねまく秋はきにけり 工山
入る月にいすかの鳥のわたるそら 葉
駕籠なき国を露負われ行く 翁
降る雨は老いたる母のなみだかと 山
一輪咲きし芍薬の窓 藤
碁の工夫二日とじたる目を明きて 翁
周にかへると狐なくなり 葉
霊之掘る河原はるかに暮れかかり 藤
鳥居はげたる松の入り口 山
笠敷きて衣のやぶれ綴り居る 葉
あきの鳥の人喰いにゆく 翁
一昨日の野分けの浜は月澄みて 山
霧の雫に竜を書き続ぐ 藤
華曇る石の扉を押しひらき 葉
美人のかたち拝むかげろふ 山
蝦夷の婿声なき蝶と身を侘びて 翁
海鼠干すにも袖はぬれけり 藤
木の間より西に御堂の壁白く 山
藪に葛屋の十ばかり見ゆ 翁
ほつほつと焙烙つくる祖父ひとり 藤
京に名高し瘤の呪ひ 葉
富士の根と笠きて馬に乗りながら 翁
寝に行く鶴のひとつ飛ぶらん 山
待つ暮れに鏡をしのび薄粧ひ 葉
衣かづく小姓萩の戸を推す 藤
月細く時計響き八つなりて 山
棺いそぐ消えがたの露 翁
破れたる具足を国に送りけり 藤
高麗の県に畠作りて 葉
紅粉染めの唐紙に花の香をしぼり 翁
小さき宮の永き日の伽 山
春雨の新発意粽荷ひ来て 葉
青草ちらす藤のつぼ折 藤
.
o mar escurece - grasnar do ganso, tênue alvor
transpassa a baleia - um espeto - e um brinde!
por 200 anos, eu mesmo, nestes montes, tomei o machado à mão
sementes do carvalho: o suor do outono
sob a lua que parte, aves traçam o céu
num cesto, desde remotas terras, traz-se gotas de sereno
- a chuva que cai são lágrimas da minha mãe envelhecida? -
um botão floresce - peônia da janela -
a estratégia do jogo vem dois dias depois clarear-lhe os olhos
de volta aos arredores, grita a raposa
catar no leito do rio cogumelos há muito vindo o ocaso
caibros de pinho: a entrada do templo
o sombreiro de chuva largado, o manto escrito em gotas
homens – repasto de aves do outono
fim de outono – ventania, há dois dias na praia – a lua que sai
nas gotas de sereno, um dragão a se desenhar
flores nubladas – arrombado o portão de pedra
contornos da bela – esmolar a trêmule libérula
em Enzo, um choro e a borboleta: preocupam-se
o molusco já seco e esta franja de vestido, há pouco enxarcados
por entre árvores, ao oeste, vê-se o muro branco do templo
no bosque, uma cabana de colmo há uns dez passos
pouco a pouco o vovô solitário faz um pote – queima o forno
célebre em kyoto a praga das corcundas!
cume do fuji – e eu, de sombreiro, montado a cavalo
lá vai dormir o tsuru – só, a voar
espera pelo ocaso e no espelho para fingir-se na tênue maquiagem
é o véu da cortezã que vejo sobre os trevos do portão?
um fiapo de lua – ecoa a hora – já é madrugada
não demoram com o caixão - e o sereno que seca
a armadura desfeita para casa de volta
nos campos de Goryeo, preparar a terra
papel de estampa encarnada: dele esgotar o perfume de flores
no templo, companhia para os dias intermináveis
sob a chuva da primavera, um noviço vem a mim com um fardo:
bolinhos em folhas de bambu
em toda parte, brotos verdes – e seu véu de flores
.
(*) os autores, segundo o texto japonese:
翁- Bashō
桐葉 - Tōyō
東籐 - Tōtō
工山 - Gōzan


0 Comments:
コメントを投稿
<< Home