9.17.2008

日光


卯月朔日、御山に詣拝す。往昔、此御山を「二荒山」と書しを空海大師開基の時「日光」と改給ふ。千歳未来をさとり給ふにや。今此御光一天にかゞやきて恩沢八荒にあふれ、四民安堵の栖穏なり。猶憚多くて筆をさし置ぬ。


あらたうと青葉若葉の日の光


黒髪山は霞かゝりて、雪いまだ白し。


剃捨て黒髪山に衣更 曾良


曾良は河合氏にして、 惣五郎と云へり芭蕉の下葉に軒をならべて予が薪水の労をたすく。このたび松しま象潟の眺共にせん事を悦び、且は羈旅の難をいたはらんと旅立暁髪を剃て墨染にさまをかえ惣五を改て宗悟とす。仍て黒髪山の句有。「衣更」の二字力ありてきこゆ。

廿餘丁山を登つて瀧有。岩洞の頂より飛流して百尺千岩の碧潭に落たり。 岩窟に身をひそめて入て]滝の裏よりみれば、うらみの瀧と申傳え侍る也。

暫時は瀧に篭るや夏の初



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Nikko


Ao primeiro dia do quarto mês, chegou-se à honorável montanha em peregrinagem. Antigamente, esta honorável montanha era grafada "Nikou" (duas tormentas), quando o grande mestre Koukai, da fundação do templo, trocou seu nome para "Nikko" (brilho do sol). Em mil anos para além o mestre previu, pois a bênção (deste lugar) agora atinge desde o firmamento, radiando até as bordas do país, transbordante, e as quatro classes (1) alivia em abrigo e quietude desde então:

vívidas as verdes
folhas, tenras folhas:
nelas o brilho do sol (2)

O monte Kurogami (3) envolto em névoa, em neve ainda embranquecido:

desfeito de cabelos,
monte Kurogami
troca de manto (4) Sora

Sora tem por nome de familia, Kawai, e Sougorou chamado. Sob as folhas da bananeira (5) fez morada, e me ajuda com a peleja por lenha e água. Nesta ocasião, ele está deliciado de poder ver a paisagem de Matsushima e Kisagata. E desde então, está comigo nas dificuldades do viajante e nas adversidades (da viajem). No dia da partida, raspou os cabelos e mudou para hábitos tingidos de negro. Sougorou então passou a chamar-se Sogou (o iluminado pela crença). E por isso do poema do monte Kurogami. "Troca de manto" - estas duas palavras têm muita força e por isso o felicito.

Subimos mais vinte jardas na montanha e lá havia uma cascata. E na rocha, uma cavidade, da qual se via do pico (a água) se derramar desde o mais alto para as mil pedras dum abismo verde-azul no seu final.

Nesta caverna alguem pode se abrigar e ver a cascata no seu reverso. E por isso é chamada pelo nome "Urami-no-taki" (cascata da vista reversa):

por um momento
na cascata recluso -
um novo verão (6)



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(1) しみん - As quatro classes, conforme dividido no período Edo: samurai, fazendeiro, artesão e mercador.


(2) neste haiku, ecoa Wang Wei e seu poema, no qual, ainda que haja luz declinante da tarde, no fundo da floresta brilha a erva - é o "satori" (iluminação) zen. O poema:


空山不見人,
但聞人語響
返景入深林
復照青苔上
ermo monte nem gente vista
só ouvido raro eco de voz
luz vinda do ocaso
na mata entra
acende musgo verde:
claror ressurge
(tradução minha)

Mesmo o proprio Basho apresenta um outro haiku, o qual se aproxima à mesma imagem:

須磨寺や吹かね笛聞く木下闇

templo de suma -
ouvido o silvo da flauta
sob a sombra da mata

E eis uma variação do haiku de Nikko apresentado pelo mestre -

あらたふと木の下闇も日の光

súbita evidência -
sob a sombra da mata
mais o brilho do sol

atentar que em ambos os poemas - あらた.ふと - pode ser traduzido literalmente como "súbita evidência" (aqui, novamente o "satori" - a súbita iluminação), como também ふと é uma das leituras de Buda, neste caso, grafado 仏図, assim como "templo budista" - assim teríamos a expressão "evidente Buda (...)".

E finalmente, Sora nos apresenta uma outra variação do waka proposto pelo mestre -

あなたふと木の下闇も日の光

e seu sobressalto -
sob a sombra da mata
mais o brilho do sol

- "anata-futo" brinca em aliteração com "arata-futo" das demais versões - assim a subita evidência do Buda em uma das mil coisas, visto por Basho, torna-se aos olhos do discípulo, a evidência do Buda pelo sobressalto do mestre.

(3) 黒髪 - "cabelos negros".

(4) こうい (更衣) - era prática de "troca das vestes" praticada pelos nobres, sazonalmente. Vide no Manyoushu, este waka da Imperatriz Jitou, no qual "já vem o verão (...) mantos secam ao sol" refere-se nada mais do que nas roupas brancas que eram lavadas e preparadas para a troca de verão.

(5) 芭蕉 - bashou - o nome do proprio poeta. Sabe-se que este tinha uma bananeira plantada no quintal pelos vizinhos, quando mudou-se para Edo. E desde então, adotou como seu nome próprio, o nome da planta. Deste modo, refere-se tanto que Sora era seu discipulo, como poderia ter morado com ele.

(6) "um novo verão", não de "renovado", mas como um primeiro ou recém-começado: a exuberância da cascata faz o poeta pensar que o verão não só começou, como é em tudo diferente...





9.11.2008



Trilha estreita ao confim


Oku no Michi, Basho

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1.

出発まで

月日は百代の過客にして行かふ年も又旅人也。舟の上に生涯をうかべ、馬の口とらえて老をむかふる物は日々旅にして旅を栖とす。古人も多く旅に死せるあり。予もいづれの年よりか片雲の風にさそはれて、漂白の思ひやまず、海濱にさすらへ、去年の秋江上の破屋に蜘の古巣をはらひてやゝ年も暮、春立る霞の空に白川の関こえんと、そゞろ神の物につきて心をくるはせ、道祖神のまねきにあひて、取もの手につかず。もゝ引の破をつゞり、笠の緒付かえて、三里に灸すゆるより、松嶋の月先心にかゝりて、住る方は人に譲り、杉風が別墅に移るに、

草の戸も住替る代ぞひなの家

面八句を庵の柱に懸置。


1.

Lua e Sol por 100 (1) eras são apenas errantes, e assim como os anos que vêm, assim os viajantes:

Sobre barcos, uma vida flutuam. Sobre os cavalos, idosos, têm seu abrigo na jornada e nas coisas inestimáveis e antigas (2) do seu dia-a-dia.

Muitos os antepassados que na jornada pereceram. Eu também, com a inquietude da idade, fui tentado pelo vento que desfaz as nuvens (3) - e claro em meu peito ficou esta idéia. Vagando pelas praias marinhas ano passado no outono, pela margem do rio proximo à velha cabana vazia, eu me vi só nesta morada de aranhas, neste campo ressequido dos anos de crepusculo. Quando na primavera o sereno se ergueu no céu vazio além das fronteiras de Shirakawa, a aparição do Deus me aliviou o peito exaurido. O convite da deidade das estradas era favorável e propício tomar as coisas às mãos.

Remendei os andrajos, troquei o cordão do sombreiro e apliquei-me moxa de Misato um pouquinho - a Lua de Matsushima já viva chegara ao meu peito. Terminei por ceder minha morada à alguem, e quando por partir à casa de campo de Sampuu em mudança:

mesmo neste teto de ervas
um outro morador por eras
terá sua casa de bonecas (4)

- o primeiro de oito trechos que fixei no pilar desta cabana.

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(1) infindas
(2) むかふる物 (muka-furu mono) - coisas sem preço e antigas
(3) 片雲の風 (hen-un no kase)

(4) ひなの家 (hina no ie) - - o poeta se refere às bonecas do festival das meninas, que se festeja no inicio da primavera - talvez com isto se referindo ao período em que partia e aludindo à familia que não tinha e que, porventura, habitaria a nova casa com crianças.

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versão em kana

つきひははくたいのかかくにして、 いきかうとしもまたたびびとなり。ふねのうえにしょうがいをうかべうまのくちとらえておいをむかうるものは、ひびたびにして、たびをすみかとす。こじんもおおくたびにしせるあり。よもいずれのとしよりか、へんうんのかぜにさそわれて、ひょうはくのおもいやまず、かいひんにさすらえ、こぞの あきこうしょうのはおくにくものふるすをはらいて、やゝとしもくれ、はるたてるかすみのそらに、しらかわのせきこえんと、そヾろがみのものにつきてこころをくるわせ、どうそじんのまねきにあ いてとるものてにつかず、もゝひきのやぶれをつヾり、かさのおつけかえて、さんりにきゅうすゆるより、まつしまのつきまずこころにかゝりて、すめるかたはひとに ゆずり、さんぷうがべっしょにうつるに、

くさのとも すみかわるよぞ ひなのいえ


おもてはちくをいおりの はしらにかけおく。



2.





弥生も末の七日、明ぼのゝ空朧々として、月は在明にて光おさまれる物から不二の峯幽にみえて、上野谷中の花の梢又いつかはと心ぼそし。 むつまじきかぎりは宵よりつどひて舟に乗て送る。千じゆと云所にて船をあがれば、前途三千里のおもひ胸にふさがりて幻のちまたに離別の泪をそゝく。


行春や鳥啼魚の目は泪


是を矢立の初として、行道なをすゝまず。人々は途中に立ならびて、後かげのみゆる迄はと見送なるべし。

2.



Era o dia vigésimo sétimo do mês (1), e ainda no claror baço da aurora no céu, na lua, uma franja de brilho cintilava envolvendo as coisas e se via o cume silente do Fuji (2). E pensei se veria as flores (cerejeiras) de Ueno e Yanaka rebentarem uma outra vez. Amigos reunidos naquele entardecer, levaram-me ao barco no qual iria. Muitos estavam no local em que embarcaria. De cara com os três mil ri (3) à frente, meu peito foi tomado pela visão de tanta gente da qual me iria separar: lágrimas verti.


passa (4) a primavera:
aves cantam e peixes
com olhos em lágrimas





- tal qual justo escrito nas minhas notas, quando na estrada avançava.


As pessoas no meio da via, de pé, em fila, suas sombras atrás de mim: as via até onde seria possível se ver.





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(1) やよい - terceiro mês do calendário lunar, primavera.

(2) Talvez a grafia não convencional para o Fuji aqui - 不二 - ao invés de 富士 - seja sugestão para funi (ふに), grafado com os mesmos ideogramas, o qual segundo o vocabulário budista, significa não-dualidade, "advaitam": unidade. Logo, o poeta e sua partida, a noite, a lua e o fuji comungam.
(3) 里 (ri), antiga unidade de medida japonesa, equivale a 3.927km. A distância no texto é excessiva, apenas sendo figurativa.

(4) 行春や (iku haru ya): vai a primavera. Tal qual o viajante, ela vem e vai. Mas também apreendo um sentido Budista ao trecho: 行 (ぎょう) equivale ao vocabulário budista sino-japones ao sankhāra (conditioned thing, mental formation em ingles) ou, popularmente traduzido, "sementes karmicas", expressão que indica que as coisas são condicionais, ou impermanentes logo, passíveis de desintegração ('Disciples, this I declare to you: All conditioned things are subject to disintegration - strive on untiringly for your liberation.' (Mahāparinibbāna Sutta), e logo, contêm a libertação.




outros enlaces:


http://en.wikipedia.org/wiki/Narrow_Road_to_a_Far_Province




http://www.geocities.jp/itaka84/bookn/basyou/okuno.htm

9.10.2008


万葉集 
man'yōshū 

春過ぎて 夏来るらし 白妙の 衣干したり 天の香具山 

Haru sugite natsu kitaru rashi shirotae no koromo hoshitari Ame-no-Kaguyama
Imperatriz Jitou, poema 28

passou a primavera - 
já vem o verão? veste-se em branco
a colina do Céu - mantos que secam ao sol


嗚呼見の浦に 船乗すらむ 少女らが 玉藻の裾に 潮満つらむか   
Ami no ura ni funanori suran otomera ga tamamo no suso ni shio mitsuramu ka
Kamimoto Hitomaro, ao ver a imperatriz Jito partir em 692 em Ami, poema 40

na praia de ami os botes vão, talvez.
as cortezãs - seus mantos, de longas franjas e mangas - 
não irá a maré que sobe gentil tocar-lhes?


renga

umi kurete no maki - o mar escurece (1)


海くれて鴨の声ほのかに白し                 翁

串に鯨をあぶる杯            桐葉

二百年吾このやまに斧取り手       東籐 

樫のたねまく秋はきにけり        工山

入る月にいすかの鳥のわたるそら       葉 

駕籠なき国を露負われ行く                    翁

降る雨は老いたる母のなみだかと            山 

一輪咲きし芍薬の窓                              藤

碁の工夫二日とじたる目を明きて              翁

周にかへると狐なくなり                       葉

霊之掘る河原はるかに暮れかかり            藤 

鳥居はげたる松の入り口                       山

笠敷きて衣のやぶれ綴り居る                  葉 

あきの鳥の人喰いにゆく                       翁

一昨日の野分けの浜は月澄みて               山 

霧の雫に竜を書き続ぐ                          藤

華曇る石の扉を押しひらき                    葉 

美人のかたち拝むかげろふ                    山

蝦夷の婿声なき蝶と身を侘びて               翁 

海鼠干すにも袖はぬれけり                    藤

木の間より西に御堂の壁白く                  山 

藪に葛屋の十ばかり見ゆ                       翁

ほつほつと焙烙つくる祖父ひとり              藤 

京に名高し瘤の呪ひ                              葉

富士の根と笠きて馬に乗りながら              翁 

寝に行く鶴のひとつ飛ぶらん                   山

待つ暮れに鏡をしのび薄粧ひ                   葉 

衣かづく小姓萩の戸を推す                      藤

月細く時計響き八つなりて                      山 

棺いそぐ消えがたの露                           翁

破れたる具足を国に送りけり                   藤 

高麗の県に畠作りて                              葉

紅粉染めの唐紙に花の香をしぼり              翁 

小さき宮の永き日の伽                           山

春雨の新発意粽荷ひ来て                        葉 

青草ちらす藤のつぼ折                           藤



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o mar escurece - grasnar do ganso, tênue alvor

transpassa a baleia - um espeto - e um brinde!

por 200 anos, eu mesmo, nestes montes, tomei o machado à mão

sementes do carvalho: o suor do outono

sob a lua que parte, aves traçam o céu

num cesto, desde remotas terras, traz-se gotas de sereno

- a chuva que cai são lágrimas da minha mãe envelhecida? -

um botão floresce - peônia da janela -

a estratégia do jogo vem dois dias depois clarear-lhe os olhos

de volta aos arredores, grita a raposa

catar no leito do rio cogumelos há muito vindo o ocaso

caibros de pinho: a entrada do templo

o sombreiro de chuva largado, o manto escrito em gotas

homens – repasto de aves do outono

fim de outono – ventania, há dois dias na praia – a lua que sai

nas gotas de sereno, um dragão a se desenhar

flores nubladas – arrombado o portão de pedra

contornos da bela – esmolar a trêmule libérula

em Enzo, um choro e a borboleta: preocupam-se

o molusco já seco e esta franja de vestido, há pouco enxarcados

por entre árvores, ao oeste, vê-se o muro branco do templo

no bosque, uma cabana de colmo há uns dez passos

pouco a pouco o vovô solitário faz um pote – queima o forno

célebre em kyoto a praga das corcundas!

cume do fuji – e eu, de sombreiro, montado a cavalo

lá vai dormir o tsuru – só, a voar

espera pelo ocaso e no espelho para fingir-se na tênue maquiagem

é o véu da cortezã que vejo sobre os trevos do portão?

um fiapo de lua – ecoa a hora – já é madrugada

não demoram com o caixão - e o sereno que seca

a armadura desfeita para casa de volta

nos campos de Goryeo, preparar a terra

papel de estampa encarnada: dele esgotar o perfume de flores

no templo, companhia para os dias intermináveis

sob a chuva da primavera, um noviço vem a mim com um fardo:

                                                 bolinhos em folhas de bambu

em toda parte, brotos verdes – e seu véu de flores


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(*) os autores, segundo o texto japonese:

翁- Bashō
桐葉 - Tōyō
東籐 - Tōtō
工山 - Gōzan



9.08.2008


一茶
issa


1820年

闇がりの牛を引出す日永哉

guiar a vaca
desde o remanso -
interminável o dia!

1818年

山焼の明りに下る夜舟哉

monte em brasa: no
claror, desce um bote
noite abaixo


9.01.2008

more Confucian Odes

4.

jiu mu

樛木

南有樛木、葛藟纍之。樂只君子、福履綏之。
南有樛木、葛藟荒之。樂只君子、福履將之。
南有樛木、葛藟縈之。樂只君子、福履成之。


4.

do sul, pendem as bagas
e curvos os ramos nas vinhas
toda tua a delicia,
fiada a alegria.

do sul, pendem as bagas
e brotam os ramos nas vinhas
toda tua a delícia,
tecida a alegria.

do sul, pendem as bagas
e gavinhas nos ramos das vinhas
toda tua a delícia,
coberto em tudo, alegria.


eiichi

.


from CHOU AND THE SOUTH

IV

In the South be drooping trees,
long the bough, thick the vine,
Take thy delight,
my prince, in happy ease.

In the South be drooping boughs
the wild vine covers,
that hold delight, delight, good sir,
for eager lovers.

Close as the vine clamps the trees
so complete is happiness,
Good sir, delight, delight, in ease,
In the South be drooping trees.

Erza Pound (from Classical Anthology)



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8.30.2008



Shih Ching (sec. 12 - 7 a.C)

Livro dos Cantos ou Confucian Odes




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(versões livres do chinês)



3.

juan er

卷耳

采采卷耳、不盈頃筐。嗟我懷人、寘彼周行。
陟彼崔嵬、我馬虺隤。我姑酌彼金罍、維以不永懷。
陟彼高岡、我馬玄黃。我姑酌彼兕觥、維以不永傷。
陟彼砠矣、我馬瘏矣、我僕痡矣、云何吁矣。


colho brotos
que não me enchem o cesto.
canto ao meu amado -
erma a estrada de Chou.

subo às altura dos montes,
os cavalos exaustos
e já soam os sinos de bronze.
subo às alturas dos montes,
amarelos de outono
que mancho
com o flanco negro dos cavalos.
soam os sinos de bronze,
mas não os ouço mais,
já não há alturas
nos flancos de terra dos montes
para subir - deitam os cabalos
e não sei onde estou.
eiichi

.
III
She:
Curl-grass, curl-grass,
to pick it, to pluck it
to put in a bucket
never a basket load
Here on Chou road, but a man in my mind!
Put it down here by the road.
He:
Pass, pass
up over the pass,
a horse on a mountain road!
A winded horse on a high road,
give me a drink to lighten the load.
As the cup is gilt, love is split.
Pain lasteth long.
Black horses, yellow with sweat,
are not come to the ridge-top yet.
Drink deep of the rhino horn
But leave not love too long forlorn.
Tho´driver stumble and horse drop,
we come not yet to the stony top.
Let the foundered team keep on,
How should I leave my love alone!
ezra pound


26.
bou zhou

柏舟

汎彼柏舟、亦汎其流。耿耿不寐、如有隱憂。微我無酒、以敖以遊。
我心匪鑒、不可以茹。亦有兄弟、不可以據。薄言往愬、逢彼之怒。
我心匪石、不可轉也。我心匪席、不可卷也。威儀棣棣、不可選也。
憂心悄悄、慍于群小。覯閔既多、受侮不少。靜言思之、寤辟有摽。
日居月諸、胡迭而微。心之憂矣、如匪澣衣。靜言思之、不能奮飛。

vaga, bote de lenho
rema em vaga de maré.
flama em água - meu sono não vem,
e me veste o peito em pedra
que nem o vinho lhe quebra,
nem jogo a dor lhe cega.

espelha meu peito
nem irmão novo ou velho,
pois cego deles, distante perdido.
nem meu peito-pedra
desfaço em terra
e nem tapete feito,
que lhe guarde envolto
no segredo da tua mão -
um pouco punhado.

mágoa - o bater do peito arrancado,
do peito desfeito, num prato disposto,
desfibrado num pouco punhado.

sol & lua oculta,
tão antiga lua -
que te tornas tão miúda?
mágoa mancha o peito
como o sujo num manto:
muda, a língua da mágoa que fere,
não fala e nem parte,
pois não pode voar.

.

41.

bei feng

北風

北風其涼、雨雪其雱。惠而好我、攜手同行。其虛其邪、既亟只且。
北風其喈、雨雪其霏。惠而好我、攜手同歸。其虛其邪、既亟只且。
莫赤匪狐、莫黑匪烏。惠而好我、攜手同車。其虛其邪、既亟只且。


do norte o vento vem frio,
chuva e neve pronto vem.
se fazes o favor de gostar de mim,
tomo-te a mão e tomamos a estrada -
não penses, não pare.

do norte o vento fino soa,
chuva e neve pronto irá.
nada é tão rubro quanto
a raposa que espreita -
nem a terra,
nada é tão negro quanto
o corvo que agoura -
nem a noite,
não penses, não pare.

se fazes o favor de gostar de mim,
tomo-te a mão e rumamos a estrada -
não penses, não pare,
que cedo será tarde.

.

ラベル: ,

8.24.2008


mais verões para wang wei 



鹿柴
空山不見人,
但聞人語響 
返景入深林
復照青苔上




octavio paz

I.

No se ve gente en este monte.
Sólo se oyen, lejos, voces.
La luz poniente rompe entre las ramas.
En la yerba tendida brilla verde.

II.

No se ve gente en este monte,
sólo se oyen, lejos, voces.
Bosque profundo, luz poniente:
alumbra el musgo y, verde, asciende.





haroldo de campos

o refúgio dos cervos

   montanha vazia       não se vê ninguém
  ouvir só se ouve       um alguém de ecos
  raios  do poente       filtram na espessura
 um reflexo ainda       luz no musgo verde





kenneth rexroth

Deep in the mountain wilderness

Deep in the mountain wilderness
Where nobody ever comes
Only once in a great while
Something like the sound of a far off voice,
The low rays of the sun
Slip through the dark forest,
And gleam again on the shadowy moss.





gary synder

Empty mountains:
    no one to be seen.
Yet - hear - 
    human sounds and echoes.
    Returning sunlight
    enters the dark woods;
Again shining
    on the green moss, above.





eiichi
(versões do chines)



I.


monte e céu,     pessoa à vista
nem voz. só,     um eco ressoa
    luz    
                poente      acende
entre árvores     musgo verde



II.


monte & céu        pessoa à vista
só voz num eco    ressoa
e a luz, poente     acende
entre árvores       musgo verde



III.


ermo monte   nem gente vista
só ouvido       raro eco de voz

    luz vinda do ocaso 
         na mata entra
acende musgo verde:

claror ressurge



IV.


montain & sky     no one seen 
a word echoes     alone
    light comes     from sunset
      and bright    green  moss
                                above



V.


            empty mounts    no one seen
    but a word resounds     
             from sunset a    light comes
   - deep root in wood -     
         on moss a green    sun re-shines







ラベル:

8.23.2008


Li Bai 
李白

ciúmes

bela assim  envolta em colares de contas,
silente  senta-se.    sombrio o semblante,
se vê suas lágrimas: pérolas em seu colo,
mas não  o amado  que adorna fundo seu
coração.

(versão livre, do chinês)


怨情
美人捲珠簾 
深坐蹙蛾眉
但見淚痕濕
 不知心恨誰


ラベル:

algumas versões para wang wei


I.


Kenneth Rexroth

Men sleep. The cassia blossoms fall.
The Spring night is still in the empty mountains. 
When the full moon rises,
It troubles the wild birds.
From time to time you can hear them
Above the sound of the flooding waterfalls.


.


(versão do inglês)

dormem os homens.  as Flores de acácia caem.
vazia a serra e muda suas noites de Primavera.
Quando sai a lua cheia,
       se agitam as aves da mata.
De tempo em tempo,  escuta-as.
e sobre o Canto, soa a Cachoeira.


II.


David Hinton

In our idleness, cinnamon blossons fall.
In night quiet, spring mountains stand

empty. Moonrise startles mountain birds:
here and there, cries in a spring gorge.

.


鳥鳴澗


人閑桂花落
夜靜春山空
月出驚山鳥
時鳴春澗中

.

(versões do chinês)

I.

mudos os homens. põe-se ao chão as flores,
silente a noite.    Primavera no monte vazio.

sai a lua:      se assustam as aves aos montes.
volta e meia um canto surge envolto em água.



II.

deitam os homens          põe-se as flores,
faz-se a noite: primavera e o monte vazio.

surge a lua    e revoa aos montes as aves,
e seu canto        ressoa  com  a  cachoeira


III.

quietos os homens. 
dos galhos ao chão 
          flores caem

       silêncio & noite:
Primavera no monte
vazio

surge a lua e as aves
surpresas, se elevam

faz-se um grito, que
flore em meio ao rio


IV.

dormem os homens. caem
          as flores da canela.

dorme  a  noite.  vazio os
         montes: Primavera.

surge  a  lua.  assuntadas
         as aves aos montes.

hora em hora,
um  canto  em  entremeio
à agua: ave  &  Primavera.


V.

em sono o homem     as flores caem

            noite vem     no monte ermo
           com a lua:     soa a primavera
      voam as aves      no monte
        volta e meia      
        um canto no      rio ressoa:
                               primavera



VI.

men sleep                 flowers fall
night comes on   empty mountain
and brings moon:   spring sounds    
the birds fly              in mountain
time to time 
a sing stains     the stream sound:  
                      spring



. eiichi

ラベル:

8.20.2008

Lamento do Guardião da Fronteira



(traduzido do ingles)



Pela Porta Norte o vento sopra cheio de areia,
Só, do princípio até agora!
Folhas caem e a grama amarela com o outono.
Subo torres e torres
a avistar terras bárbaras:
Castelo desolado, o céu, o amplo deserto.
Não restou muro à esta vila.
Ossos alvos com as mil friagens,
Montes e montes, cobertos com mata e mato;
Quem trouxe o flamejante furor imperial?
Quem trouxe a armada com tambores e tamborins?
Reis bárbaros.
Uma primavera graciosa, tornada outono de ravinas cruentas,
um redemunho de homens-em-guerra, espalhados em meio reino,
Sessenta mil e trezentos,
E lamento. Lamento tal chuva.
Lamento por ir, e lamento, lamento por vir,
Desolados, campos desolados,
e criança alguma em labor de guerra,
e nem mais homens para ofensa e defesa.
Ah, como deves saber o ignóbil lamento à Porta Norte,
com o nome de Rihoku esquecido,
e nós, guardiões, repasto aos tigres?

eiichi

.

Le Chagrin du guet

A la porte du Nord souffle un autan de sable
Solitaire en ce jour, et dès le commencement des temps.
Les troncs croulent, l'herbe jaunit au gré d'automne.
Par les tours je me répands
Guettant dans les landes étrangères:
Le logis fendu, les lointains, l'Azur !
Plus aucun mur à ce village.
Blanchis de mille gelées, des os
En haut tas, cernés de friche.
Qui fit voler ici le trépas ?
Qui la fureur, impérieuse et flambante ?
Qui l'armée, ses tambours et claquettes ?
Les rois étrangers.
Le printemps gracieux a tourné vendémiaire
La soldatesque, vomie dedans l'empire, éparse.
Trois cent et soixante milliers.
Et la peine, la peine comme en pluie.
Peine, à peine affranchie, peine qui s'en retourne.
Désolation, champ de désolation.
Nul sabre qui se dresse en lice déshérente,
De l'assaut ou de la défense, qui l'emporte
En silence misérable ?
Ah, comment saurez-vous la triste peine par la porte du Nord
Avec le nom de Riboku oublié,
Les guets, dont vont paissant les tigres?

Edouard G.-J.

.


Lament of the Frontier Guard



Ezra Pound



By the North Gate, the wind blows full of sand,
Lonely from the beginning of time until now!
Trees fall, the grass goes yellow with autumn.
I climb the towers and towers
to watch out the barbarous land:
Desolate castle, the sky, the wide desert.
There is no wall left to this village.
Bones white with a thousand frosts,
High heaps, covered with trees and grass;
Who brought this to pass?
Who has brought the flaming imperial anger?
Who has brought the army with drums and with kettle-drums?
Barbarous kings.
A gracious spring, turned to blood-ravenous autumn,
A turmoil of wars-men, spread over the middle kingdom,
Three hundred and sixty thousand,
And s
orrow, sorrow like rain.
Sorrow to go, and sorrow, sorrow returning,

Desolate, desolate fields,
And no children of warfare upon them,
No longer the men for offence and defence.
Ah, how shall you know the dreary sorrow at the North Gate,

With Rihoku's name forgotten,
And we guardsmen fed to the tigers.

By Rihaku. [Li Po; Li Bai]



Notes
Traduzido por EP a partir de notas de Fenellosa (*). Os nomes chineses referido em  Cathay (1915) de EP, são de leitura japonesa. Este poema é atribuido por Pound/Fenellosa a Rihaku ou Li Po ou Li Bai (701-72), no entanto, permanece inédita ao inglês outra tradução do mesmo poema [Kai-chee Wong, Pung Ho, and Shu-leung Dang, A Research Guide to English Translation of Chinese Verse (Chinese University Press, 1977)].
Rihoku (leitura japonesa, morto em 223) lutou contra os Tártaros.

(*) diplomata e estudioso de artes que morou no Japão durante a restauração Meiji e que, após sua morte, deixou notas e transcrições de poesia chinesa e algumas peças do teatro Noh japonês que a sua esposa enviou a Pound para organização e publicação.



ラベル: ,

8.18.2008


李白

月下獨酌
(pinyin: Yuè Xià Dú Zhuó)

花間一壺酒
獨酌無相親
舉杯邀明月
對影成三人
月既不解飲
影徒隨我身
暫伴月將影
行樂須及春
我歌月徘徊
我舞影零亂
醒時同交歡
醉後各分散
永結無情遊
相期邈雲漢

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"bebo baixo à lua", por Li Bai

emoldurado em flores, uma taça de vinho!
bebo só, sem amigo que me olhe.
ergo a taça e brindo a lua. tu, clari-lua!
faz de mim sombra de três homens.

lua, que há muito não desvendas o beber, e
tu, sombra volúvel, que flertas em mim?
- pois, que a lua por consorte e a sombra por serva -
sejamos alegres antes que venha a primavera!

por meu canto, a lua em volteios,
por minha dança, a sombra em arruaças;
enquanto sóbrios, juntemos alegrias!
e depois de ébrios, cada qual que siga só.
que eterno seja assim, que eterna a alegria,
até que um dia, os três, no reino de névoas do céu!
(tradução direta do chines)

.

tr Ezra Pound, 1915


Amongst the flowers is a pot of wine


Amongst the flowers is a pot of wine
I pour alone but with no friend at hand
So I lift the cup to invite the shining moon,
Along with my shadow we become party of three

The moon although understands none of drinking, and
The shadow just follows my body vainly
Still I make the moon and the shadow my company
To enjoy the springtime before too late

The moon lingers while I am singing
The shadow scatters while I am dancing
We cheer in delight when being awake
We separate apart after getting drunk

Forever will we keep this unfettered friendship
Till we meet again far in the Milky Way


vide outras 31 versões para o mesmo poema, em ingles.

ラベル: ,

8.16.2008

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(versão livre, a partir de Li Shangyin)

bufa bufa vento leste -
vem, névoa & chuva.

lago de lotus
lá fora
brilha, toldado em raios.

incenso doura
fumarento e acre
desde o queimador.

um tigre de jade
suarento de chuva
guarda o poço.

ela penteia-se,
desenhando 
longas sombras na cortina.

não nos toca
a primavera,
por florescer ainda -
tal seu coração,
adormecido.

queima longo
o incenso
queima longo
em cinzas.

.




.
(tradução em ingles por Jiang Yi)
A misty rain comes blowing with a wind from the east,
and whell faintly thinder beyond Hibiscus Pool.
... Round the golden-toad lock, incense is creeping;
The jade tiger tells, on its cord, of water being drawn
A great lady once, from behind a screen, favoured a poor youth;
A fairy queen brought a bridal mat once for the ease of a prince and then vanished.
... Must human hearts blossom in spring, like all other flowers?
and of even bright flame of love, shall there be only ashes?

ラベル:


dia de outono:
subida ao terraço para uma vista distante 
(versão livre de Li Changqing)

antigo terraço,
à vista das nuvens somente, 
é um lugar desolado:
há muitas luas nascidas das montanhas
e declinado.

dia de outono.

desejo de lar no peito.

templo no campo -
cá, pessoas vem pouco.

os cumes das montanhas
mergulham em nuvens como em água,
deitam raízes fundas no céu.

lua e sol
caminham nesta hora
juntos em velhas alamedas.
um sino toca frio, 
invade as matas desertas,
melancólico,
como um conto de passadas dinastias.

longo, o rio
ainda corre, só.

.

秋日登吳公臺上寺遠眺

古台搖落後
秋日望鄉心
野寺人來少
雲峰水隔深
夕陽依舊壘
寒磬滿空林
惆悵南朝事
長江獨至今

8.15.2008

.

difícil ver-te, mais
difícil não te ver

cede o vento : mil
as flores caídas da
primavera -

fiada a seda,
morre o bicho

queimada a vela,
em cinza as lágrimas.

ocaso. no espelho,
o lamento dos cabelos em nuvens.

canto. no sereno,
o toque frio da lua.

- não é longe daqui,
ave azul: leva-me a ela.

.

difícil a vista
difícil o encontro

cede o vento às
flores que caem:

finda primavera.

medra a morte
no fio fiado:

finda a larva.

queimada a vela,
lágrimas em cinza.

e findo o dia.

lamentas o cabelo feito
em brancas nuvens
no espelho.

lamento o friento toque
da lua na madrugada
refletida.

- distante o caminho?
ave azul, leva-me a ela.


(a partir de Liu Shangyin)

ラベル:





李商隠 リショウイン

(livre tradução de poema sem título de Li Shang'yin)

ver-nos tão difícil, mas
partir é mais difícil -

o vento leste mal sopra e mil
as flores caídas da primavera

o bicho medra seu fio-pensar
em seda  até  a morte

a cera na vela queima em cinzas
o cerne,  mal  secas  as lágrimas.

ocaso.          um espelho: num lamento
vês teu negro tocado em nuvens vertido

canto.    na madrugada fustiga
o toque friento do brilho da lua 

- daqui não há tanta estrada para Péng lai (1)
ave azul, vai, segue e guia-me até ela.

.

(1) montanhas descritas em contos de fada tradicionais

.

(versão do mesmo poema, por Haroldo de Campos)

Vê-la difícil. Não vê-la, mais difícil,
que pode o vento contra as flores cadentes? (1)
Bicho-da-seda se obseda até a morte com o seu fio. (2)
A lâmpada se extingue em lágrimas: coração e cinzas.
No espelho, seu temor: o toucado de nuvens.
À noite, seu tremor: os friúmes da lua.
Não é longe, daqui ao monte P'eng,
Ave azul, olho azougue, fala-lhe de mim.

(Haroldo de Campos, A operação do texto. São Paulo, Perspective, 1976, p. 147)


A versão de HC em muito superior, alcançou no portugues as sutilezas equivalentes do texto chinês. Dois pontos de destaque: (1) o vento leste fraco é sinal do fim da primavera na poesia chinesa. A imagem de "flores cadentes" transfere esta imagem ao entendimento moderno, ao leitor comum, com grande eficiência; (2) "seda" e "reflexão, pensamento" são honônimos no chinês, embora grafados com diferentes caracteres. "Seda" e "obseda" na tradução de HC é em tudo perfeita.

8.11.2008


dois fragmentos

.

ante o templo, dizem ter  Ele chorado.
velhíssima noite. lua, única lembrança.

.

neste agosto desconhecido
vamos esperar a lua tatear 
outra noite mais, antes do
esquecimento e dos dias esperados.

.
.

(Li Shangyin de novo: outra versão ainda mais livre)

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carta

pedes um dia: não há um dia.
cá nos montes ba, a noite trouxe chuva que transborda diques:
é outono. quando o retorno?
à vista do oeste e de uma vela, quando recontarei
da mesma chuva que a noite trouxe? nos montes ba.

.

(transliteração livre de Liu Changquing)

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não é a ti, mas interminável neblina que vejo:
aceno-te. na mão, o lenço orvalhado de lágrima.
ave revoa. para onde partes?
montes em azul de distante céu, e 
eu, só.
longo rio, longe vai teu navegar.
pôr-do-sol, floresces os cinco lagos com luz:
quem vê sobre o baixio, 
em saudades, um solitário e o junco branquejado? (1)
.

(transliteração de Du Fu)

Visão da Primavera 

o país é pó. mas montes e rios permanecem.
na primavera, a cidade será de ervas e árvores, repasto.
ante tempos tão duros, flores trazem-me lágrimas.
partido em mágoa, meu peito é um pássaro assustado.
o fogo nas torres já dura três luas.
uma carta de casa custa mil moedas!
branco é o cabelo que me cae num afago:
já não me servirão os adornos
 
.


8.10.2008

.

o dia foge todo dia para oeste;
o rio flui para o que será ou atrás de ontem;
presente é se espero pela luz
e não se sabe quando irá terminar o trotar dos dias, 
quando seus pés gastos sangrarão no que falta de estrada.

.

sente aqui, vento vagante -
não te espera adiante mais um ouvido ferido 
- vê? alí vem a noite e seu resto de solenidade

.