8.30.2008



Shih Ching (sec. 12 - 7 a.C)

Livro dos Cantos ou Confucian Odes




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(versões livres do chinês)



3.

juan er

卷耳

采采卷耳、不盈頃筐。嗟我懷人、寘彼周行。
陟彼崔嵬、我馬虺隤。我姑酌彼金罍、維以不永懷。
陟彼高岡、我馬玄黃。我姑酌彼兕觥、維以不永傷。
陟彼砠矣、我馬瘏矣、我僕痡矣、云何吁矣。


colho brotos
que não me enchem o cesto.
canto ao meu amado -
erma a estrada de Chou.

subo às altura dos montes,
os cavalos exaustos
e já soam os sinos de bronze.
subo às alturas dos montes,
amarelos de outono
que mancho
com o flanco negro dos cavalos.
soam os sinos de bronze,
mas não os ouço mais,
já não há alturas
nos flancos de terra dos montes
para subir - deitam os cabalos
e não sei onde estou.
eiichi

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III
She:
Curl-grass, curl-grass,
to pick it, to pluck it
to put in a bucket
never a basket load
Here on Chou road, but a man in my mind!
Put it down here by the road.
He:
Pass, pass
up over the pass,
a horse on a mountain road!
A winded horse on a high road,
give me a drink to lighten the load.
As the cup is gilt, love is split.
Pain lasteth long.
Black horses, yellow with sweat,
are not come to the ridge-top yet.
Drink deep of the rhino horn
But leave not love too long forlorn.
Tho´driver stumble and horse drop,
we come not yet to the stony top.
Let the foundered team keep on,
How should I leave my love alone!
ezra pound


26.
bou zhou

柏舟

汎彼柏舟、亦汎其流。耿耿不寐、如有隱憂。微我無酒、以敖以遊。
我心匪鑒、不可以茹。亦有兄弟、不可以據。薄言往愬、逢彼之怒。
我心匪石、不可轉也。我心匪席、不可卷也。威儀棣棣、不可選也。
憂心悄悄、慍于群小。覯閔既多、受侮不少。靜言思之、寤辟有摽。
日居月諸、胡迭而微。心之憂矣、如匪澣衣。靜言思之、不能奮飛。

vaga, bote de lenho
rema em vaga de maré.
flama em água - meu sono não vem,
e me veste o peito em pedra
que nem o vinho lhe quebra,
nem jogo a dor lhe cega.

espelha meu peito
nem irmão novo ou velho,
pois cego deles, distante perdido.
nem meu peito-pedra
desfaço em terra
e nem tapete feito,
que lhe guarde envolto
no segredo da tua mão -
um pouco punhado.

mágoa - o bater do peito arrancado,
do peito desfeito, num prato disposto,
desfibrado num pouco punhado.

sol & lua oculta,
tão antiga lua -
que te tornas tão miúda?
mágoa mancha o peito
como o sujo num manto:
muda, a língua da mágoa que fere,
não fala e nem parte,
pois não pode voar.

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41.

bei feng

北風

北風其涼、雨雪其雱。惠而好我、攜手同行。其虛其邪、既亟只且。
北風其喈、雨雪其霏。惠而好我、攜手同歸。其虛其邪、既亟只且。
莫赤匪狐、莫黑匪烏。惠而好我、攜手同車。其虛其邪、既亟只且。


do norte o vento vem frio,
chuva e neve pronto vem.
se fazes o favor de gostar de mim,
tomo-te a mão e tomamos a estrada -
não penses, não pare.

do norte o vento fino soa,
chuva e neve pronto irá.
nada é tão rubro quanto
a raposa que espreita -
nem a terra,
nada é tão negro quanto
o corvo que agoura -
nem a noite,
não penses, não pare.

se fazes o favor de gostar de mim,
tomo-te a mão e rumamos a estrada -
não penses, não pare,
que cedo será tarde.

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8.24.2008


mais verões para wang wei 



鹿柴
空山不見人,
但聞人語響 
返景入深林
復照青苔上




octavio paz

I.

No se ve gente en este monte.
Sólo se oyen, lejos, voces.
La luz poniente rompe entre las ramas.
En la yerba tendida brilla verde.

II.

No se ve gente en este monte,
sólo se oyen, lejos, voces.
Bosque profundo, luz poniente:
alumbra el musgo y, verde, asciende.





haroldo de campos

o refúgio dos cervos

   montanha vazia       não se vê ninguém
  ouvir só se ouve       um alguém de ecos
  raios  do poente       filtram na espessura
 um reflexo ainda       luz no musgo verde





kenneth rexroth

Deep in the mountain wilderness

Deep in the mountain wilderness
Where nobody ever comes
Only once in a great while
Something like the sound of a far off voice,
The low rays of the sun
Slip through the dark forest,
And gleam again on the shadowy moss.





gary synder

Empty mountains:
    no one to be seen.
Yet - hear - 
    human sounds and echoes.
    Returning sunlight
    enters the dark woods;
Again shining
    on the green moss, above.





eiichi
(versões do chines)



I.


monte e céu,     pessoa à vista
nem voz. só,     um eco ressoa
    luz    
                poente      acende
entre árvores     musgo verde



II.


monte & céu        pessoa à vista
só voz num eco    ressoa
e a luz, poente     acende
entre árvores       musgo verde



III.


ermo monte   nem gente vista
só ouvido       raro eco de voz

    luz vinda do ocaso 
         na mata entra
acende musgo verde:

claror ressurge



IV.


montain & sky     no one seen 
a word echoes     alone
    light comes     from sunset
      and bright    green  moss
                                above



V.


            empty mounts    no one seen
    but a word resounds     
             from sunset a    light comes
   - deep root in wood -     
         on moss a green    sun re-shines







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8.23.2008


Li Bai 
李白

ciúmes

bela assim  envolta em colares de contas,
silente  senta-se.    sombrio o semblante,
se vê suas lágrimas: pérolas em seu colo,
mas não  o amado  que adorna fundo seu
coração.

(versão livre, do chinês)


怨情
美人捲珠簾 
深坐蹙蛾眉
但見淚痕濕
 不知心恨誰


ラベル:

algumas versões para wang wei


I.


Kenneth Rexroth

Men sleep. The cassia blossoms fall.
The Spring night is still in the empty mountains. 
When the full moon rises,
It troubles the wild birds.
From time to time you can hear them
Above the sound of the flooding waterfalls.


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(versão do inglês)

dormem os homens.  as Flores de acácia caem.
vazia a serra e muda suas noites de Primavera.
Quando sai a lua cheia,
       se agitam as aves da mata.
De tempo em tempo,  escuta-as.
e sobre o Canto, soa a Cachoeira.


II.


David Hinton

In our idleness, cinnamon blossons fall.
In night quiet, spring mountains stand

empty. Moonrise startles mountain birds:
here and there, cries in a spring gorge.

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鳥鳴澗


人閑桂花落
夜靜春山空
月出驚山鳥
時鳴春澗中

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(versões do chinês)

I.

mudos os homens. põe-se ao chão as flores,
silente a noite.    Primavera no monte vazio.

sai a lua:      se assustam as aves aos montes.
volta e meia um canto surge envolto em água.



II.

deitam os homens          põe-se as flores,
faz-se a noite: primavera e o monte vazio.

surge a lua    e revoa aos montes as aves,
e seu canto        ressoa  com  a  cachoeira


III.

quietos os homens. 
dos galhos ao chão 
          flores caem

       silêncio & noite:
Primavera no monte
vazio

surge a lua e as aves
surpresas, se elevam

faz-se um grito, que
flore em meio ao rio


IV.

dormem os homens. caem
          as flores da canela.

dorme  a  noite.  vazio os
         montes: Primavera.

surge  a  lua.  assuntadas
         as aves aos montes.

hora em hora,
um  canto  em  entremeio
à agua: ave  &  Primavera.


V.

em sono o homem     as flores caem

            noite vem     no monte ermo
           com a lua:     soa a primavera
      voam as aves      no monte
        volta e meia      
        um canto no      rio ressoa:
                               primavera



VI.

men sleep                 flowers fall
night comes on   empty mountain
and brings moon:   spring sounds    
the birds fly              in mountain
time to time 
a sing stains     the stream sound:  
                      spring



. eiichi

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8.20.2008

Lamento do Guardião da Fronteira



(traduzido do ingles)



Pela Porta Norte o vento sopra cheio de areia,
Só, do princípio até agora!
Folhas caem e a grama amarela com o outono.
Subo torres e torres
a avistar terras bárbaras:
Castelo desolado, o céu, o amplo deserto.
Não restou muro à esta vila.
Ossos alvos com as mil friagens,
Montes e montes, cobertos com mata e mato;
Quem trouxe o flamejante furor imperial?
Quem trouxe a armada com tambores e tamborins?
Reis bárbaros.
Uma primavera graciosa, tornada outono de ravinas cruentas,
um redemunho de homens-em-guerra, espalhados em meio reino,
Sessenta mil e trezentos,
E lamento. Lamento tal chuva.
Lamento por ir, e lamento, lamento por vir,
Desolados, campos desolados,
e criança alguma em labor de guerra,
e nem mais homens para ofensa e defesa.
Ah, como deves saber o ignóbil lamento à Porta Norte,
com o nome de Rihoku esquecido,
e nós, guardiões, repasto aos tigres?

eiichi

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Le Chagrin du guet

A la porte du Nord souffle un autan de sable
Solitaire en ce jour, et dès le commencement des temps.
Les troncs croulent, l'herbe jaunit au gré d'automne.
Par les tours je me répands
Guettant dans les landes étrangères:
Le logis fendu, les lointains, l'Azur !
Plus aucun mur à ce village.
Blanchis de mille gelées, des os
En haut tas, cernés de friche.
Qui fit voler ici le trépas ?
Qui la fureur, impérieuse et flambante ?
Qui l'armée, ses tambours et claquettes ?
Les rois étrangers.
Le printemps gracieux a tourné vendémiaire
La soldatesque, vomie dedans l'empire, éparse.
Trois cent et soixante milliers.
Et la peine, la peine comme en pluie.
Peine, à peine affranchie, peine qui s'en retourne.
Désolation, champ de désolation.
Nul sabre qui se dresse en lice déshérente,
De l'assaut ou de la défense, qui l'emporte
En silence misérable ?
Ah, comment saurez-vous la triste peine par la porte du Nord
Avec le nom de Riboku oublié,
Les guets, dont vont paissant les tigres?

Edouard G.-J.

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Lament of the Frontier Guard



Ezra Pound



By the North Gate, the wind blows full of sand,
Lonely from the beginning of time until now!
Trees fall, the grass goes yellow with autumn.
I climb the towers and towers
to watch out the barbarous land:
Desolate castle, the sky, the wide desert.
There is no wall left to this village.
Bones white with a thousand frosts,
High heaps, covered with trees and grass;
Who brought this to pass?
Who has brought the flaming imperial anger?
Who has brought the army with drums and with kettle-drums?
Barbarous kings.
A gracious spring, turned to blood-ravenous autumn,
A turmoil of wars-men, spread over the middle kingdom,
Three hundred and sixty thousand,
And s
orrow, sorrow like rain.
Sorrow to go, and sorrow, sorrow returning,

Desolate, desolate fields,
And no children of warfare upon them,
No longer the men for offence and defence.
Ah, how shall you know the dreary sorrow at the North Gate,

With Rihoku's name forgotten,
And we guardsmen fed to the tigers.

By Rihaku. [Li Po; Li Bai]



Notes
Traduzido por EP a partir de notas de Fenellosa (*). Os nomes chineses referido em  Cathay (1915) de EP, são de leitura japonesa. Este poema é atribuido por Pound/Fenellosa a Rihaku ou Li Po ou Li Bai (701-72), no entanto, permanece inédita ao inglês outra tradução do mesmo poema [Kai-chee Wong, Pung Ho, and Shu-leung Dang, A Research Guide to English Translation of Chinese Verse (Chinese University Press, 1977)].
Rihoku (leitura japonesa, morto em 223) lutou contra os Tártaros.

(*) diplomata e estudioso de artes que morou no Japão durante a restauração Meiji e que, após sua morte, deixou notas e transcrições de poesia chinesa e algumas peças do teatro Noh japonês que a sua esposa enviou a Pound para organização e publicação.



ラベル: ,

8.18.2008


李白

月下獨酌
(pinyin: Yuè Xià Dú Zhuó)

花間一壺酒
獨酌無相親
舉杯邀明月
對影成三人
月既不解飲
影徒隨我身
暫伴月將影
行樂須及春
我歌月徘徊
我舞影零亂
醒時同交歡
醉後各分散
永結無情遊
相期邈雲漢

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"bebo baixo à lua", por Li Bai

emoldurado em flores, uma taça de vinho!
bebo só, sem amigo que me olhe.
ergo a taça e brindo a lua. tu, clari-lua!
faz de mim sombra de três homens.

lua, que há muito não desvendas o beber, e
tu, sombra volúvel, que flertas em mim?
- pois, que a lua por consorte e a sombra por serva -
sejamos alegres antes que venha a primavera!

por meu canto, a lua em volteios,
por minha dança, a sombra em arruaças;
enquanto sóbrios, juntemos alegrias!
e depois de ébrios, cada qual que siga só.
que eterno seja assim, que eterna a alegria,
até que um dia, os três, no reino de névoas do céu!
(tradução direta do chines)

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tr Ezra Pound, 1915


Amongst the flowers is a pot of wine


Amongst the flowers is a pot of wine
I pour alone but with no friend at hand
So I lift the cup to invite the shining moon,
Along with my shadow we become party of three

The moon although understands none of drinking, and
The shadow just follows my body vainly
Still I make the moon and the shadow my company
To enjoy the springtime before too late

The moon lingers while I am singing
The shadow scatters while I am dancing
We cheer in delight when being awake
We separate apart after getting drunk

Forever will we keep this unfettered friendship
Till we meet again far in the Milky Way


vide outras 31 versões para o mesmo poema, em ingles.

ラベル: ,

8.16.2008

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(versão livre, a partir de Li Shangyin)

bufa bufa vento leste -
vem, névoa & chuva.

lago de lotus
lá fora
brilha, toldado em raios.

incenso doura
fumarento e acre
desde o queimador.

um tigre de jade
suarento de chuva
guarda o poço.

ela penteia-se,
desenhando 
longas sombras na cortina.

não nos toca
a primavera,
por florescer ainda -
tal seu coração,
adormecido.

queima longo
o incenso
queima longo
em cinzas.

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(tradução em ingles por Jiang Yi)
A misty rain comes blowing with a wind from the east,
and whell faintly thinder beyond Hibiscus Pool.
... Round the golden-toad lock, incense is creeping;
The jade tiger tells, on its cord, of water being drawn
A great lady once, from behind a screen, favoured a poor youth;
A fairy queen brought a bridal mat once for the ease of a prince and then vanished.
... Must human hearts blossom in spring, like all other flowers?
and of even bright flame of love, shall there be only ashes?

ラベル:


dia de outono:
subida ao terraço para uma vista distante 
(versão livre de Li Changqing)

antigo terraço,
à vista das nuvens somente, 
é um lugar desolado:
há muitas luas nascidas das montanhas
e declinado.

dia de outono.

desejo de lar no peito.

templo no campo -
cá, pessoas vem pouco.

os cumes das montanhas
mergulham em nuvens como em água,
deitam raízes fundas no céu.

lua e sol
caminham nesta hora
juntos em velhas alamedas.
um sino toca frio, 
invade as matas desertas,
melancólico,
como um conto de passadas dinastias.

longo, o rio
ainda corre, só.

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秋日登吳公臺上寺遠眺

古台搖落後
秋日望鄉心
野寺人來少
雲峰水隔深
夕陽依舊壘
寒磬滿空林
惆悵南朝事
長江獨至今