.
numa garrafa
que se quebra deitando
cognac e chuva
ao chão não vejo, no
rosto sujo de
anonimato sem dente
(o desespero)
nem na mão ferida
que bate bate e
bate não vejo, na
luz mercúrio que
tinge a chuva de cognac
na rua (longa
e vazia) não vejo,
em frio algum
que arranha roupa e pele
nem nos pés (unha
e calo) que corre e
tropeça e cai cai
e cai não vejo, sequer
numa lasca da
garrafa quebrada no
chão, verdade. Do
rosto que ele procura
não sabe sequer
o nome, tonto demais
consigo mesmo
e há no choro dele
só vaga intensão.
Verdade eu vi na minha
avó chorar o marido
morto
.
[da leitura de um fragmento de caio fernando abreu]
numa garrafa
que se quebra deitando
cognac e chuva
ao chão não vejo, no
rosto sujo de
anonimato sem dente
(o desespero)
nem na mão ferida
que bate bate e
bate não vejo, na
luz mercúrio que
tinge a chuva de cognac
na rua (longa
e vazia) não vejo,
em frio algum
que arranha roupa e pele
nem nos pés (unha
e calo) que corre e
tropeça e cai cai
e cai não vejo, sequer
numa lasca da
garrafa quebrada no
chão, verdade. Do
rosto que ele procura
não sabe sequer
o nome, tonto demais
consigo mesmo
e há no choro dele
só vaga intensão.
Verdade eu vi na minha
avó chorar o marido
morto
.
[da leitura de um fragmento de caio fernando abreu]


4 Comments:
Como são fortes os seus poemas! Eles possuem uma beleza estranha e sutil que me encantou. Com a visita, ainda descobri a deidade hakudo maru - cujas pistas vou buscar. Aproveito para agradecer o comentário deixado no meu blog. Fuku!
Entre os bambus e os sobressaltos, a poesia tua se aproxima dos noctívagos, doma possíveis feras e ervas das esquinas, para, enfim, ficar para além do bem e do mal, à espera.
Parabéns pela página bem cuidada, também pelo que há no FLICKR (Rodrigo.doc).
Quando meu avô morreu, meu choro guardou imagens silenciosas[minha infância em tons de amarelo]Por vezes, elas visitam-me, deixando tudo com gosto de chuva.
a vagaBelo poema, novamente. Novamente.
A vaga intenção do luto. Como eu disse em algum lugar e muito antes de mim a minha mãe , " entre estas quatro paredes do quarto, só eu sei". Era mineira e não gostava de exibir seu sofrimento. E eu sabia o que devia ser, pelo indiscutível da frase.
São admiráveis os seus poemas.
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