dois sonos
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entre um porto - o do dia - e aquele em que acordamos - o outro dia - está o sono, o leito, o sonho (monstros ou quimeras descritas por alguns navegantes que tiveram a ventura de os ver). enquanto isso a cidade envelhece. ela não dorme, servindo aos que fazem a vigilia.
uma goteira nos acorda por seu monótono crescendo ou nos inunda e afoga: o sol. e surpresos nos vemos no outro porto, no outro dia. não somos nós a envelhecer, mas a cidade e com ela, os espelhos, que nos enganam. um dia chegamos num porto mais afastado, outro, de onde viemos e ao qual nos destinamos.
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