retorno
.
do avião,
da liberdade das alturas imensas,
nunca havia visto um por-do-sol.
é como um olho que fecha.
ao final, quando só há as pálpebras da noite,
abrem-se feridas luminosas na terra.
.
(já estou em casa e desfaço-me da viagem)
aqui tenho uma fava: desfez-se:
rebentou sua simetria econômica.
as sementes,
uma-a-uma, com uma virulência monstruosa
começam a povoar de verdes minhas
visões rochosas
do sertão
.


1 Comments:
Parou de escrever?
A sua poesia é desconcertante, mas é muito boa.
Este poema é um bom exemplo dessa qualidade.
Um abraço.
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