11.17.2006

sombra


,


num assomo de ladrão
que me vem pelas costas,
sem se ver,
só,
há minha sombra

minha sombra, que me leva
como ao contrabaixo,
fardo pesado
e recurvada,
se arrasta
por mim

tudo que agora diz
é de horas que me traz
como ao grande instrumento
que não afina, que não irá servir
para tocar até que nos vejamos de frente,
descoberto e afinado,

no dia em que nem eu nem ela vejamos
a tarde terminar nem a manhã se prometer


.


para guillaume,

1 Comments:

Blogger Silvia Chueire said...

Gosto. Muito. Poema cheio de lirismo e para pensar.
Merci.

Beijos,
Silvia

21 11月, 2006 08:58  

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