partida
.
as nuvens baixaram até roubar o morro do mar,
deixando em seu lugar uma cortina
glissando a vista, suspensa por um grande
dedo invisível, flutuante e úmido.
manhã estranha - e há qualquer lugar vazio.
há qualquer coisa vazia além de uma falta.
talvez um ruído menor que o dia faz
como se não quisesse perturbar um adormecido
ou uma luz de menos. Posso conversar com esta ausência,
ela pode mesmo me escutar, calar e deixar de responder,
como agora, como se fosse domingo ou se não quisesse me atender
e ficasse, uma senha e eu,
a esperar um chamado de número ou nome.
o morro ausente espera,
as ondas aguardam em qualquer lugar
as aves se cansaram ou já sabem o que há pra saber.
e ficarei eu e meu cinza a espera deste vazio
que nos diga que nos vá.
e tu foste com o que falta e que a nós todos
nos faz esperar.
.


2 Comments:
Vimos a mesma manhã e partilhamos sem o sabermos a msma estranheza.Mas o poema saiu das suas mãos. Gosto dele!
Beijos,
Silvia
não ousarei comentar, faltariam palavras...
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