(transliterado livremente de Liu Zhongyuan, poeta Tang)
carta desde as fronteiras do Sul
"nas franjas da cidade murada
altas torres cedem ao vasto mato
mar e céu ressentem-se, ausentes distantes.
súbito vento crespa a água até os lotus esquecidos à margem e
então, dobram-se à tempestade vinda.
espera sem fim: serra e mata levam os olhos além da vista e
o rio, único correr, vai além.
findos vento e chuva, só e a palavra escrita:
memórias, única companhia."
.
(duas transliterações livres de Li Shangyin, poeta Tang)
ver-te, difícil. mais difícil é não te ver.
fraqueja o vento leste e murchas, caem as flores.
findo o fio da seda, morre a larva.
fez-se em cinza o cerne da vela e secas as lágrimas.
é madrugada. no espelho, vês teu toucado de nuvens -
resta o canto e o friúme da lua.
o Monte P'eng é cerca daqui:
vai, ave azul, fala-lhe de mim.
.
carta à esposa
tu falas do retorno: um dia. mas este dia ainda não há.
Montes Ba. aqui já transborda o lago
pela chuva da noite de outono.
quando? juntos, vendo o oeste,
te dirias dos Montes Ba e da chuva da noite.
.
(todos os versos são de 7 caracteres)


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