8.10.2008

(transliterado livremente de Liu Zhongyuan, poeta Tang)

carta desde as fronteiras do Sul

"nas franjas da cidade murada
altas torres cedem ao vasto mato
mar e céu ressentem-se, ausentes distantes.
súbito vento crespa a água até os lotus esquecidos à margem e
então, dobram-se à tempestade vinda.
espera sem fim: serra e mata levam os olhos além da vista e
o rio, único correr, vai além. 
findos vento e chuva, só e a palavra escrita: 
memórias, única companhia."

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(duas transliterações livres de Li Shangyin, poeta Tang)

ver-te, difícil. mais difícil é não te ver. 
fraqueja o vento leste e murchas, caem as flores.
findo o fio da seda, morre a larva.
fez-se em cinza o cerne da vela e secas as lágrimas.
é madrugada. no espelho, vês teu toucado de nuvens - 
resta o canto e o friúme da lua.
o Monte P'eng é cerca daqui:
vai, ave azul, fala-lhe de mim. 

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carta à esposa

tu falas do retorno: um dia. mas este dia ainda não há.
Montes Ba. aqui já transborda o lago
pela chuva da noite de outono.
quando?     juntos, vendo o oeste,
te dirias dos Montes Ba e da chuva da noite.

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(todos os versos são de 7 caracteres)