7.29.2008


i.
ao fim de varios remos esquecidos
e mais um, de esquecimento, o fim:
do mangue, a margem: cruenta
de folhas e patas, repastos
de maré. ramos escoram
o fim do dia cedo. noite redura.

ii.
gesta o chão. dedos-lenho em
árvores e flores de garras
de caranguejos. remoendo
lama, água-viva de maré.
. . . . . . . . . . . . realejo
de  tempo  entre cinza e
o verde no imóvel vento.

iii.
chama sem luz. espelho
baço d'água em espera
de rumorejos. carcome
lama e olhos à espreita,
chão viva-água: estuário:
raso permanecer de coisas.

.

guamá
por dentro, o alento
de palavras
tal 'melgaço' 'alado' e nos barcos
que leva seu flanco de lama

leva no ventre
quietudes
de quintal sombreado e o 
odor passado de fruta

caixa de guardar
o esquecido
sol à esquerda da tarde,
marés e tempestades

seus olhos se
apagam na
noite, toldando mais que
a calma e escuridão

enraizada margem.
imóvel
bronze líquido, frio,
enfurecido de tempo

espera incompreensível
do afogado,
dele emergir flor ou
peixe em prata

rio, só vivo e fala
se tocado
pelos dedos da chuva.



1 Comments:

Blogger douglas D. said...

poetas imagens de forma única.

03 8月, 2008 03:47  

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