8.06.2006

do diário terno

.



há meses há um
ninho na janela e
seu par de aves
e seu trânsito
de galhos e
insetos ao bico

choveu tres dias

, ancorado a ti
na cama,
escutei uma
asa ou a dois
corações pequenos de aves
estremecendo
o silêncio da chuva
que andava lá fora




(quinta, 3 de agosto - terceira manhã de chuva)



.



ao fim da
tarde o sol sequer
nos aquece as costas,
posto detrás dos
prédios,
nalguma rua.
A multidão
largou seus pés na areia
e voltou pra alguma
rua detrás dos prédios
e ondas varrem
usuais aos pés da areia
e logo o mar e
noite serão mãos dadas
usuais sem ao
horizonte
como a uma
rua ruidosa


- estamos ali
silentes a ver
todas as coisas assim
a se refazerem -




(sábado, 5 de agosto - copacabana, fim de tarde)




.



depois que me
habituei ao
sem cor de dias de
chuva e aqui dentro
, portas e janelas
fechadas, andando
silvo da chaleira
passos em chinelos
dobras de lençois
rumor de pia
e nós dois
, um dia de sol
tem arestas e farpas




(domingo, 6 de agosto - dia de sol, só)




.


3 Comments:

Anonymous 匿名 said...

, quinta, 3 de agosto. tem uma beleza sem noção... destamanhada... os outros também, mas este de quinta é daqueles que você lê inumeras vezes...

|abraços meus|

06 8月, 2006 23:32  
Blogger Silvia Chueire said...

Gosto dos três e como Pedro, mais de quinta, 3 de agosto.
Os poemas são de uma clareza, Eiichi, de uma luminosidade que ofusca.

Abraços,

Silvia

07 8月, 2006 17:23  
Anonymous 匿名 said...

luminoso como tudo que voce escreve, como tudo que voce ama.

07 8月, 2006 23:14  

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