7.01.2006

yi sán

poema n.7

nesta terra de remoto exílio um ramo . no ramo floresce uma flor brilhante . peculiar árvore florida de abril . trinta voltas . espelho claro nos dois lados pré pós trinta voltas . a lua cheia que decai agora agora em direção ao horizonte alegrerridente feito um broto novo . em meio ao ímpeto do riacho límpido do vale a lua cheia toda estropiada que derrui penalizada com o nariz decepado . uma carta vinda de casa atravessa esta terra de exílio . eu de mal em mal protegi-me de louvores . broto da lua esmaecido . o longíncquo da camada atmosférica cobrindo esta quietude . esta grande caverna oca de um ano e quatro meses em meio à grandiosa miséria . astros coxeiam tropeçam e por ruelas mortiças de astros milestilhaçados a grandiosa neventania foge . cai nevasca . pedestral tingida de vermelho-sangue pulverizando-se . com meu cérebro como um pára-raio, restos mortais encharcados de luz transbordantes de luz vão sendo transportados . eu uma cobra venenosa em exílio na torre acabei plantado no horizonte e nunca mais pude mover-me . até que desça a graça dos céus

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Yi Sán (1910-1937), coreano, êmulo oriental do dadaísmo

trad., Yun Jung Im, revisão Haroldo de Campos - Olho de Corvo e outras obras de Yi Sán, São Paulo, Perspectiva 1999 (Signos 26)

Neste poema vê-se ecos de sijô, fórmula tradicional da poesia coreana durante a dinastia Yi (1392-1910), de raiz confucionista (anti-budista):

Na Ilha de Hansan
sol lua clara
sento-me sozinho
na torre de guarda
suspiro
fundo
na bainha
a grade espada

(Yi Sun-shin)

A lua brilha
no céu claro
depois da neve
da noite passada
a lua
depois da neve
é sempre
muito clara
somente as nuvens nos confins do céu
vão
e vêm

(Shin Hûn)