6.13.2008





hora de fechar


quase à hora das lojas fecharem,
em frente ao coffee shop
uma mocinha de pés descalços e ombros nus
com uma voz em falsetto
começa a entoar uma antiga canção de ninar.
sandalias penduradas na mão esquerda,
sua mãe
grossas lágrimas começa a chorar chorar
e sua filha, fazer calar.
tentando proteger sua ária da mão da mãe
- vira o corpo - e os seios da mocinha
refletindo o brilho do verde do semáforo,
tremem viscosamente

em volta delas se estendem
os longos e muitos braços da noite, calmamente,
que de uma só vez, larga uma poeira de
odor suave no mundo
- como se sabe dos restos de uma asa de passarinho
que transborda em silêncio
da terra molhada –
quem saberia que tanta fragância havia nesta hora da noite?
- desprotegidos -
aqueles envoltos nas
pregas da tristeza


久谷 雉