7.07.2006

.

tudo que vi
no quintal era uma
língua de um outro -

tudo lhe foi
confidência nesse seu
exílio de muros
altos e nus, por onde subiam
em fuga ervas-
de-passarinho e heras
e um escasso sol
que vinha a seu passeio
mudo, passando
em revista a uns vasos
enfileirados
(brilhou prata o som de
um besouro que
passou, fugitivo)

o
outro que se fez
da cor de humus, cheiro
de verde podre e
grandes formigas pretas

cresceu sem fazer
ruído pra que não o
viesse salvar,
e certa vez, saí do
outro e sua
língua de quintal,
que ficou ali -

manda-me cartas de exílio
volta e meia, tristíssimas

,



1 Comments:

Anonymous 匿名 said...

vontade de chorar...pelo exílio, pelas cartas que não escrevi. pelas que n mandei. por essa que vc ditou e eu ouvi.

08 7月, 2006 00:51  

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